A flor que se banha com o orvalho da manhã uma hora murcha. A nuvem que fica suspensa guardando suas gotas para liberar quando chora, se desfaz. Um dia chove, lava a calçada, leva a terra, os passos, as letras escritas no chão. As frutas que amadurecem, caem das plantas, assim como as folhas no outono. As estrelas que surgem, brilham, ardem, flamejam indecentes de amor, explodem e somem. O sol que surge quando o dia vem, aquece, queima, e no fim do dia vai embora. A lua que espera ansiosamente poder aparecer, chamar atenção, jogar seu charme, filmar os olhos apaixonados dos apaixonados à beira mar, desaparece quando fica com sono e decide ir descansar sua beleza. Dizem que esta é a lei da vida, o eterno ir e vir das ondas, o insistente aparecer e desaparecer das coisas. E funciona também com as pessoas. Há os que vêm e insistem em querer ficar, mas uma hora cansam, ou são simplesmente expulsos. Há os que vêm sem intenção de ficar, e o fazem depois de certa insistência. Mas, por fim, um dia acabam indo embora. Há os que passam e nem olham; os que pensam em parar, mas nem param; os que param sem pensar em ficar. Há os que amam, os que sorriem, os que falam, os que desejam, os que simplesmente sentem. E todos sentem muito, por fim. Lá de longe, as ondas anunciam a sua chegada através da brisa que bate no cabelo e arrepia a pele. A onda vai vir, mas vai passar. Você veio, você passou. [E ficou.]
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“My heart is drenched in wine,
But you’ll be on my mind
Forever…”
[Norah Jones]

