vIVE

terça-feira, setembro 6, 2016

Já dava perto das três da tarde, o dia estava quente como nunca, e como sempre eu segui em sua direção. Subi lentamente as escadas, bati com cuidado a porta, tudo pra não te incomodar, não atrapalhar seu sono. Você dormia como um anjo, você sorria enquanto dormia, enquanto viajava pra longe dali. Toquei suavemente seu rosto, seu sorriso, falei baixinho: “-estou aqui”, mas você não ouviu. Você nunca ouviu.

Já passava das cinco da tarde e o calor  era de rachar. Permaneci deitada no chão da sala diante das minhas últimas memórias, tentando compreender em que momento eu deixei de existir. Em que vão da casa meus passos perderam o som? Em que hora do dia as coisas perderam completamente o sentido? Houve algum sentido em alguma parte da história? Algo foi real?

Eram três da manhã e eu acordei, como sempre, sem medo do escuro. Perdi a maioria dos meus medos nos últimos tempos. Só tenho medo do que eu achava que havia existido, mas que eu descubro a cada dia que não passou de ilusão.

O tempo passou…

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eM SILENCIO

domingo, julho 31, 2016

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“e QUANTOS QUASE CABEM NUM SEGUNDO?”

segunda-feira, junho 13, 2016

Apague as luzes, feche os olhos e deixe a janela bem aberta.
Substitua na memória o velho sussurro pelo novo sorriso.
Às vezes é o movimento necessário para libertar alguém.
Às vezes é o modo mais fácil de ensinar alguém a voar.

[Não, não olhe pra trás…]

 

“…Me vi chegar no fim do mundo,
Me vi sofrer na solidão
De um jeito que não suportei.”

[Tiê – Isqueiro Azul]

nO AR

quinta-feira, junho 2, 2016

Vou ficando quietinha, parada,

Balançando as pernas, as folhas, o tempo,

Vou seguindo e tentando não olhar pra trás…

Você ouve esse silêncio?

Consegue sentir o macio dessa pele?

É uma ausência bem leve, bem junto, como suor na pele.

Não há som que invada esse espaço,

Não há saudade que não se cure com um abraço,

E não há lembrança que não aumente o cansaço

Da espera.

[Quando se espera por nada.]

É tarde.

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o AMOR CUIDA

quarta-feira, junho 1, 2016

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O amor cura.

fALTA

quinta-feira, maio 26, 2016

Eu busquei os sonhos, eu me busquei lá.  Revirei as lembranças, o futuro tatuado, o medo da morte. Passaram tantas coisas que eu nem se dizer, que eu quis esconder. Esquecer. Passaram as horas, os laços, os calendários. Passou o frio, o abandono, a falta de sorte.
Passaram os desgostos, o mês de agosto, e toda a agonia. Só não passou a vontade de partir, de sumir, de não voltar. Passou por mim todo o passado, passou e parou do meu lado, o velho medo de amar.

pOUCO A POUCO, DIA A DIA

terça-feira, abril 5, 2016

“…Minha dor é perceber.”

[Elis]

qUANTAS VEZES MAIS

sábado, março 26, 2016

Tenho perdido a noção do tempo, os fatos se misturam na minha mente e, em alguns momentos, fico em dúvida se estou tendo uma lembrança, se está acontecendo no presente ou estou sonhando com algo que sequer aconteceu. O barulho segue tão alto e grave que as vezes eu não consigo ouvir minha própria respiração. Outro dia, me vi debruçada numa janela, e era tão alto, mas tão alto, que eu mal podia enxergar o chão. Ao observar melhor percebi um gato numa das janelas abaixo de mim, e ele me olhava e sorria. Ele sorria pra mim, só pra mim, mostrando aquelas presas afiadas e olhos tão espertos e vivos como eu jamais havia visto antes. Seus olhos me convidavam num estranho paralelo entre o doce e o feroz, e eu não resisti. Eu saltei e só ao perceber que estava caindo, senti o medo me invadir por completo. O chão, que antes eu não conseguia ver, agora se aproximava e me esperava de braços abertos, então eu fechei os olhos e desejei que aquilo nunca tivesse fim. Eu, o vento, meu coração e aquele último olhar…

3:49h, acordei.

“e O TEMPO NUNCA PASSOU…”

sábado, março 19, 2016

Eu fecho os olhos, tento lembrar do meu rosto, mas não consigo.
(É tudo em vão?)
Imagino alguns traços perdidos, misturados com os de outras pessoas, mas não são meus. Olho para as paredes do meu quarto, tento ler tudo o que eu escrevi durante todos esses anos, mas não entendo a minha própria letra. Não consigo ler através dela. Não consigo interpretar os meus planos.
(Será que eles eram mesmo os meus?)
Ao tentar respirar, não consigo não sufocar. Faz muito barulho, eu mal consigo me ouvir.
(Que barulho faz a minha paz junto do som das ondas do mar?)
Eu olho para baixo e não tenho mais medo da altura. Sinto medo de nunca conseguir pular. Voar. (Somente eu, o vento, e o pensamento lá em você.)
Quando vejo os caminhos, não consigo escolher qual devo seguir. Então eu sento na estrada e espero. Espero pelo silencio, em silêncio. Espero eu e a minha solidão.
(Eu fecho os olhos, mas não consigo dormir.
Eu abro os olhos, mas não desapareci.)
Dizem que o tempo conserta todas as coisas…
(Sinto falta de mim.)
Quanto tempo deve faltar para eu lembrar do meu rosto e consertar meu coração?

dIA UM

quinta-feira, fevereiro 18, 2016

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Eu não quero que o amor me cegue.

Eu preciso que ele me faça enxergar.

aBISMOS

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

“Mas não chegou a hora em que me precipito. A queda se prepara, espera-me, de nada servem as telas cada vez mais eroditas pelas chuvas de dezembro e de janeiro, pelo ar sempre úmido, pelo envelhecimento, talvez pelos gritos, pelos ruídos constantes que vem dos arredores, pela trepidação da cidade. Não faltam, em toda parte, abismos, fossos, não faltam, e quando faltam, se faltam, achamos dentro de nós um vão onde cairmos. Para a nossa perdição?”

[Pág. 61, Avalovara, Osman Lins]

 

vELOZ[MENTE]

domingo, agosto 23, 2015

“Vejo desfilarem os minutos como se o tempo fosse uma paisagem, esses campos cultivados que ficam para trás, com girassóis, papoulas, gavelas de feno. Que viagem é esta? Para onde vou ao certo e com que fim? Os segundos moem-me, rolam em mim como pedras, pois cada momento abriga a possibilidade de que Roos venha e fale-me. As escadas em hélice. Roos com a mão estendida em direção ao pássaro. Bato palmas para que ele voe, para que eu não me enrede na armadilha. Armadilha? Agora é o inverso que me veda ir vê-la, procurá-la. Receio ir ter às suas mãos e assim a perder.”

[Pág. 140, Avalovara, Osman Lins]

fALTOU AR

sexta-feira, agosto 21, 2015

o céu

“Me despeço dessa história e
Concluo: a gente segue a direção
Que o nosso próprio coração mandar.
E foi pra lá…
E foi pra lá…”

[Tiê – Assinado Eu]

pASSARÁS

quarta-feira, agosto 19, 2015

Na rua dos meus ciúmes,
Onde eu morei e tu moras,
Vi-te passar fora de horas,
Com a tua nova paixão.

De mim não esperes queixumes,
Quer seja desta ou daquela,
Pois sinto só pena dela,
E até lhe dou meu perdão.
Na rua dos meus ciúmes,
Deixei o meu coração.

Ainda que me custe a vida,
Pensarei com ar sereno,
Nesse teu ombro moreno,
Beijos de amor vão queimar.

Saudades, são fé perdida,
São folhas mortas ao vento,
Que eu piso sem um lamento,
Na tua rua, ao passar.

Ainda que me custe a vida,
Não hás-de ver-me chorar.

o TEMPO PASSOU

terça-feira, maio 12, 2015

Bebi um pouco mais do seu sangue.
Silenciei a música, cantei as palavras e as dúvidas.
Ouvi toda a sua poesia, mais uma vez, e, sem fim, me vi ali, despedaçada.
Quantas vezes mais? Tantas vezes…
Engoli cada pedaço da sua respiração e flutuei até o meu muro de certezas.
Encontrei o meu reflexo no espelho, turvo como as águas do mar.
E senti cada batimento em meu peito, cada enrijecer dos meus músculos, cada estalar dos meus ossos, dos meus medos, dos meus versos de amor.
Senti a mim, sentindo você.
Vazia, porém encharcada de lágrimas.
Com sede, contudo embriagada de amor.

gRAFITE NO MURO DA MINHA SAUDADE

quarta-feira, março 25, 2015

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é DE MAR

sexta-feira, janeiro 16, 2015

osolsefoi

A cor do céu era de um lilás alaranjado. “- Eu nunca sei qual a diferença entre roxo e lilás”, ele disse. Não faz diferença. Quis encontrar por tanto tempo as respostas, e me surpreendi quando as encontrei uma a uma, dentro de mim. Então caminhei um pouco mais em direção ao que restava do sol, aparei minhas lágrimas com as mãos e as impedi de caírem na areia. Já havia um mar à minha frente. Já havia se formado um maremoto em meu coração.

sEGUNDA PELE

quinta-feira, outubro 9, 2014

Eu estava quieta. Estive quieta esse tempo todo, você sabe. Pintei as paredes, mudei os móveis de lugar, fiz faxina em todos os órgãos do meu corpo. Lavei com água e sabão o meu pobre coração. Tentei me distrair com o tempo e a distância, fingindo para os meus próprios olhos que eu já não via o seu reflexo quando me via do outro lado do espelho. Tentei, em vão, te esquecer por entre os livros velhos naquela velha prateleira. Eu tentei, você sabe. E consegui. Mas as digitais… As digitais e a sensação da sua pele nelas é o que permanece, é o que arrepia, é o que atordoa e faz virem à tona lembranças, pensamentos, sussurros de saudades… Você em mim.

Um dia nublado, o frio lá fora, cobertor no chão, seu corpo no meu.
Silêncio na cidade, barulho longe de sirene, amanhã já termina o feriado (?), seu corpo no meu.
Seu coração no meu.
Só meu.

pOEMINHA INACABADO

quinta-feira, julho 31, 2014

Sim, meu bem, outros novembros virão,
Novos ares, uma nova estação,
E o que de nós irá restar,
Além de flores mortas,
Espalhadas pelo chão?

Quantas vezes te falei,
Se a árvore morreu,
Não faz sentido continuar cultivando a raiz,
Como é que a gente pode ser feliz?
Sem espaço pro que é meu e seu,
E seu não há…

Ah, quando foi que a gente esqueceu
Que pra semente germinar,
Precisa de luz, espaço e amor,
Que não há santo no mundo que faça esse favor,
De mais de uma raiz no mesmo espaço-coração
repousar,
e crescer.

Florescer.

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sAMBA ENJOADINHO

sexta-feira, maio 16, 2014

Amar,
É um dia ensolarado,
É o café requentado,
E acordado sonhar.

Amar,
É suportar o calor,
Dormir sem ventilador,
E, ainda assim, feliz, despertar.

Amar,
É alcançar as alturas,
É disfarçar a tontura,
E o medo de escorregar.

Amar,
É não tocar violão,
Mas preparar a canção,
Pro seu amor encantar.

Amar,
É superar o seu medo,
De revelar o segredo,
Da vontade de junto estar.

Amar,
É andar devagarinho,
É querer mais um pouquinho,
Quanto o todo você já tem.

E amar,
É querer fazer todas as vontades,
E dar toda a sua verdade,
Pra quem só te faz o bem.

qUADRADOS AZUIS

quinta-feira, maio 8, 2014

Eu desejei o fim.
Sim, eu o quis e esperei calmamente,
como quem abre os olhos de repente,
e vê, de fato, o que gostaria.

E inacreditavelmente em paz eu fiquei,
de rosto e alma lavada,
nessa louca espera por nada,
que a nada me levaria.

E eu, por completo, apostei,
num fim doce, lento, sereno,
suave, bonito e pequeno,
do dia.

dES-RIMANDO

quarta-feira, abril 9, 2014

Desliga a luz e aperta a minha mão,
Ouve o rádio, tá tocando aquela canção,
Onde o rapaz, tão cansado, reaprendeu a amar.

Anda, acredita na nossa sorte,
Fecha os olhos, sente o vento que vem do norte,
Bebe o seu café, mas não esquece de sonhar.

Quem falou que era a hora certa, meu bem?
Que diferença faz se a gente vai de bicicleta ou de trem?
Se no fim das contas, a intenção da gente é se encontrar.

É se amar…

Tenho subido tão alto, com o coração na mão,
Medo da altura, de queda e da solidão,
E um coração para guiar…

Mas se eu já não sei mais fazer rima,
Se quando a gente canta, só desafina,
Quem poderá nos julgar?

[Eu aprendi errando, e errei tantas vezes,
Que me assustei com seus acertos,
Seus medos,
E suas juras de amor.]

E percebi que, se a gente sente frio na barriga,
Se o coração já não segue ritmo certo,
Se as mãos suam e as pernas tremem,

É só fechar os olhos,
deixar a rima pra lá,
e se entregar.

c’EST LA VIE

quarta-feira, abril 9, 2014

A vida segue num ritmo curioso, agitado, doce, calmo, surpreendente. Toco os seus olhos e sinto gosto de vida, sinto a leveza dos ventos do norte e me pergunto: o que virá agora? Eu te aqueço, já não sinto mais frio, já não temo o amanhecer. Espera, me dá um beijo, pega a minha mão e saiba que eu já não seguro a vontade de chorar, muito menos a de sorrir. Eu quero o sol das nossas manhãs, já não vejo sentido em cutucar velhas feridas, deixa elas cicatrizarem logo. Espera, meu bem, nada disso faz sentido, eu sei, mas antes que eu percebesse você já havia entrado na casa e sentado no sofá da sala. Seja bem vindo e, se for embora, volta logo. Sob a tua pele eu posso ver um quê de escudo, um misto de carinho e cobertor, um tom fora de tom e do compasso como quem diz: seja nômade, mas fixa aqui a tua casa. Você acredita em coincidência, e eu, na sorte. Existe o momento certo e existe a felicidade. Vem!

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o AMOR ACABOU COM A MINHA VIDA

domingo, março 9, 2014

O amor acabou com a minha vida. Deu-me casa, lavou minha roupa, me fez comida. Deixou-me marcas, me fez construir sonhos, mas acabou com a minha vida. O amor me fez trocar de pele, mudar de cabelo e de estilo. O amor me renegou e aceitou outras tantas vezes, que perdi a conta. O amor acabou com meu medo do escuro, com meus pesadelos, com minha falta de ar. O amor me fez correr, me fez chorar, me fez crer em mim e nos outros.
O amor acabou com a minha vida quando me limitou e restringiu a apenas uma meta: fazer-me feliz. O amor acabou com tudo quando foi embora, quando voltou, quando bateu a porta uma última vez. O amor encheu tanto a minha paciência, que perdeu a graça. E me fez graça. Trouxe-me multidões para que eu pudesse aprender a gostar da minha solidão, e deixou-me sozinha para que não temesse o medo do abandono. Abandonou-me para em seguida me mostrar que, mesmo acabando com minha vida, estaria sempre lá, de diversas formas, tamanhos, vontades. O amor me tirou a vontade de desistir, e eu resisti. Insisti.
O amor apagou o que eu escrevi num caule de árvore, para se inscrever na minha pele, um corte digno de ser exibido. O amor foi contra quando eu estive a favor, e foi a favor quando eu declarei guerra. O amor, vagabundo, acabou com a minha vida enquanto me fazia novos planos. Acabou com a minha vida e me enganou, todo o tempo. Enquanto eu sangrava, maldizendo da vida e do mundo, o amor, silencioso, agia. E fazia chá para dor no corpo e no coração. Amor malvado, oras, se o que queria era acabar com a minha vida, por que me deixar penar tanto assim? Por que apertar tão forte o meu coração?
O amor mentiu, omitiu, acabou com tudo, rasgou as fotos e pintou as paredes. O amor me fez chorar por dias, e colocar para fora tudo o que havia de bonito e de bom. E me fez esquecer. O amor me deu enjoos, mas não me fez gerar nada. Deu-me medo, mas ainda mais coragem. E me fez gritar, reagir, correr.
O amor acabou com a minha vida, mas me ensinou a enganar a morte: apesar de me empurrar do precipício, me deu asas. O amor me fez surpresa, me fez raiva, me fez poema e curou o meu resfriado. O amor me deu dor nas costas. O amor me enganou, mas eu não caio mais. O amor me fez amor, me fez chuva, me fez mulher.
O amor acabou com a minha vida, e eu tive medo de não encontrá-lo nunca mais. Contudo, ironicamente, enquanto acabava com tudo, o amor me mostrou que eu poderia senti-lo novamente, outras muitas vezes, sempre que quisesse, na mesma intensidade ou até mais que na primeira vez.

cORAÇÃO

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

bruemalu

 

“Prefiro, assim, com você,
Juntinho, sem caber de imaginar,
Até o fim raiar.”

[Los Hermanos – Morena]

dELICADEZA

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Como se fosse verdade encantações, poemas
Como se Aquele ouvisse arrebatado
Teus cantares de louca, as cantigas da pena.
Como se a cada noite de ti se despedisses
Com colibris na boca.
E candeias e frutos, como se fosses amante
E estivesses de luto, e Ele, o Pai
Te fizesse porisso adormecer…
(Como se se apiedasse porque humana
És apenas poeira,
E Ele o grande Tecelão da tua morte: a teia).
Como se fosse vão te amar e por isso perfeito.
Amar o perecível, o nada, o pó, é sempre despedir-se.
E não é Ele, o Fazedor, o Artífice, o Cego
O Seguidor disso sem nome? ISSO…

O amor e sua fome.

[Hilda Hilst, Obra Poética Reunida – 1950-1996]

rEFLEXÃO

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Busque algo que te faça feliz. Que te faça bem. Busque incessantemente. Irresponsavelmente.
E se fugir preciso for, fuja. Do passado que ainda fere, do presente que não acostuma, do futuro que amedronta.
Simples assim: busque felicidade, fuja do que não for.

mEMÓRIAS

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

flush

[Virgínia Woolf, Flush – Memórias de um cão]

iNCOMPLETO

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

Preciso aprender a te amar
No seu tempo, ritmo, espaço,
Sem causar tormento ou embaraço
Ao meu [pobre] coração.

aPENAS RESPIRE. RESPIRO.

quinta-feira, fevereiro 6, 2014

Na frente do cortejo,
O meu beijo,
Forte como o aço,
Meu abraço.

São poços de petróleo,
A luz negra dos teus olhos,

Lágrimas negras caem, saem, doem.
Lágrimas negras caem, saem, doem.

Por entre flores e estrelas,
Você usa uma delas como brinco
Pendurado na orelha,
Astronauta da saudade,
Com a boca toda vermelha.

Lágrimas negras caem, saem, doem.
São como pedras de moinho que moem,
Roem, moem.

E você, baby,
Vai, vem,vai.
E você, baby,
Vem, vai, vem.

Belezas são coisas acesas por dentro,
Tristezas são belezas apagadas,
Pelo sofrimento.
Belezas são coisas acesas por dentro,
Tristezas são belezas apagadas,
Pelo sofrimento.

Lágrimas negras caem, saem, doem.
Lágrimas negras caem, saem, doem.

mENOS AÇÚCAR, MAIS DOCE

quarta-feira, fevereiro 5, 2014

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Eu ouço o barulho do relógio, marcando segundos, corrigindo o tempo, os erros. Procuro as marcas deixadas e disfarço a vontade de apagá-las. Passo as páginas do calendário na triste ilusão de que algumas coisas realmente fiquem para trás. Não choveu a noite inteira, mas eu estou encharcada de dúvidas.

O que fizemos?

Era esse o grande plano?

Havia algum plano?

Temos tentado, da melhor maneira possível, não é? Organizar a vida, arrumar a cama, fazer o almoço, limpar os vidros e o passado, lavar a calçada e as lembranças, apagar a dor e o medo de recomeçar.

De nada, não tem de quê.

Não há perdão.

Deixa que o tempo cura. O tempo muda.

Pouco a pouco, vejo um novo sol nascer.

a JANELA

terça-feira, fevereiro 4, 2014

Então, quando virou a página, a procura de uma gravura de um ancinho ou uma ceifeira foi repentinamente interrompida; o murmúrio grosseiro dos homens falando — que o tirar e recolocar do cachimbo na boca interrompia a intervalos — dava-lhe uma certa sensação de conforto, embora não pudesse compreender o que diziam, pois estava junto à janela. Esse murmúrio já durava há meia hora e se juntava suavemente à escala de sons que se acumulava ao bater dos tacos nas bolas e ao alarido das crianças jogando críquete, irrompendo por vezes, de modo abrupto; “Acertou? Acertou?” Mas, de repente, todo ruído cessou, restando apenas a cadência monótona das ondas na praia — que quase sempre era um rufiar repousante e ritmado para seus pensamentos, parecendo repetir sempre, enquanto se sentava com as crianças, as palavras consoladoras de uma velha canção de ninar: “Eu cuido de você; eu sou o seu apoio.” Mas, às vezes, repentina e inesperadamente — sobretudo quando sua atenção se desviava um pouco do que estava fazendo no momento —, não tinha esse sentido tão calmo: pois, como o rufar fantasmagórico de tambores que batessem impiedosamente o sentido da vida, fazia pensar na destruição da ilha e no seu engolfamento com o mar e a prevenia (a ela cujo dia escapara com um afazer depois do outro) de que tudo era efêmero como um arco-íris.
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[Rumo ao Farol, Virginia Woolf]

pOEMA

quarta-feira, janeiro 8, 2014

Eu não acho que eu deva que ser o seu primeiro pensamento do dia. Não, não acho mesmo. Não espero que você tome seu café da manhã desejando que eu esteja junto. Não acredito que seja viável voce andar pelas ruas torcendo para que possamos, outra vez, andar de mãos dadas, nós dois, num só. É, não acredito. Não vejo a mínima necessidade de você olhar seu celular mil vezes ao dia, esperando uma mensagem minha, uma ligação, ou qualquer notícia que seja. Acho completamente absurdo você me escrever poemas ou tampouco me enviar trechos de músicas de amor. Discordo em número, gênero e grau que você leia tudo o que eu escrevo aqui, a fim  de adivinhar meus desejos e pensamentos. Não vejo o mínimo sentido em você sofrer de saudades de nós dois. Não, não vejo. Mas se você puder, e só se puder mesmo, viver um pouquinho de cada uma dessas coisas, saberá o que tem sido para mim viver sem você.

sEM MAIS

quarta-feira, janeiro 8, 2014

LIVROCEMSONETOS

 

 

 

[Cem sonetos de amor, Pablo Neruda]

 

sUBJETIVIDADE

terça-feira, janeiro 7, 2014

Girei o trinco, entrei, fechei a porta. O céu estava limpo de estrelas.
Passos leves. Acendi a luz.
Havia um barulho que soava insistentemente, suave como uma gota d’água a cair no chão.

Apaguei a luz e reparei nas formas que apareciam no teto. Engraçado, nunca tive a imaginação muito boa para ver bichinhos nas nuvens, mas sempre me peguei vendo alguma forma fazer sentido nas sombras no teto do meu quarto. Eram maçãs, uma casquinha de sorvete e um sorriso.

O barulho era agradável, passava alguma mensagem, “estou aqui”. Eu também.

Não chorei mais e dormi a noite toda.

As maçãs bem que podiam ser corações, a casquinha era só uma casquinha mesmo.

O sorriso, sem dúvida alguma, era o seu.

eU NÃO SEI MAIS ESCREVER SOBRE O AMOR

segunda-feira, dezembro 9, 2013

Show de Marisa Monte, 3 de dezembro de 2013, em João Pessoa

Marisa Monte, 3 de dezembro de 2013, em João Pessoa

Eu posso te fazer feliz,
Feliz, me sentir também.
Eu posso te fazer tão bem,
Eu sei, isso eu faço bem.
Roubar-te um beijo no salão,
Girar sem perder o chão,
Não vou deixar você cair,
Cintura, leve a minha mão.

Verdade, uma ilusão,
Vinda do coração.
Verdade, seu nome é mentira.

Eu posso te fazer ouvir
Milhões de sinos ao redor,
Eu posso te fazer canções,
O amor soa em minha voz.
Eu posso te fazer sorrir,
Meus olhos brilham para ti.
E os pés já sabem onde ir,
Ninguém precisa decidir.

Verdade, uma ilusão,
Vinda do coração.
Verdade, seu nome é mentira.

[Verdade, uma ilusão – Marisa Monte]

aRIANA

terça-feira, outubro 22, 2013

mUDA

sexta-feira, outubro 18, 2013

brunaas

“Take that look from off your face,
You ain’t ever gonna burn my heart out.”
[Oasis]

sIM, ASSIM SERÁ

quarta-feira, setembro 25, 2013

“E ninguém dirá que é tarde demais,
Que é tão diferente assim…”

 

 

[Los Hermanos]

aH, O AMOR…

segunda-feira, setembro 23, 2013

Uma coisa é certa: o amor nunca esquece de acontecer.
Ele está em tudo e em todos os lugares, esperando a hora certa pra se revelar, para reforçar sua presença, para pedir mais uma chance, para dá-la.

O amor é calmaria, é o vento leve depois da tempestade, é a brisa que bate de mansinho na pele da gente nos dias de calor.
Ele cura qualquer ferida, nos dá força e fé, nos faz ver o passado com carinho e crer no futuro com esperança.

O amor espera, te espera. Basta deixá-lo se mostrar, sem máscaras, sem medo, sem rancor.
De leve, sem fazer alarde, na ponta dos pés, sem fazer barulho, sem julgar ou agredir.

O amor é carinho, colo, compreensão.

O amor aquece, encoraja, liberta.
Ele está batendo a porta, ele pula muros, ele pede pra entrar sem exigir.  E ele entra, se você assim o permitir.

Permita[-se].

aPRENDIZAGEM

domingo, setembro 22, 2013

“Desaprender para aprender. Deletar para escrever em cima. Houve um tempo em que eu pensava que, para isso, seria preciso nascer de novo, mas hoje sei que dá pra renascer várias vezes nesta mesma vida. Basta desaprender o receio de mudar.”

Martha Medeiros

pRESENTE-FUTURO

quinta-feira, setembro 19, 2013

“És um senhor tão bonito,
Quanto a cara do meu filho,
Tempo, tempo, tempo, tempo,
Vou te fazer um pedido:
Tempo, tempo, tempo, tempo…”

 

[Oração ao tempo – Caetano Veloso]

a TODOS NÓS

segunda-feira, setembro 16, 2013

ESTATUTO DO HOMEM
(Ato Institucional Permanente)

 A Carlos Heitor Cony

Artigo I

Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II

Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III

Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV

Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:

   O homem, confiará no homem 
   como um menino confia em outro menino. 

Artigo V

Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI

Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII

Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII

Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX

Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X

Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.

Artigo XI

Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII

Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:

   Só uma coisa fica proibida: 
   amar sem amor. 

Artigo XIII

Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.

Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

  Thiago de Mello
Santiago do Chile, abril de 1964

oUTRA VEZ

segunda-feira, setembro 9, 2013

Não sou a desgraça nem a salvação de ninguém.

nÃO VAI CHOVER

sexta-feira, agosto 30, 2013

“Maybe, sometimes,
We’ve got it wrong, but it’s all right.
The more things seem to change,
the more they stay the same.
Oh, don’t you hesitate!

Girl, put your records on,
tell me your favorite song.
You go ahead, let your hair down.
Sapphire and faded jeans,
I hope you get your dreams.
Just go ahead, let your hair down.
You’re gonna find yourself some where,
some how.

Blue as the sky,
sunburnt and lonely.”

diasbruna

[Put your records on – Corinne Bailey Rae]

tUDO VOLTA

sábado, agosto 24, 2013

“mEU AMOR, CUIDADO NA ESTRADA…”

quinta-feira, agosto 15, 2013

Eu rasguei todas as fotos, cuidadosamente, com carinho, com dor, uma a uma. Vi o momento estampado no papel, me transportei no tempo, vivi tudo aquilo mais uma vez, e chorei.
Senti que era hora de me despedir, não por não sentir mais amor, mas por saber que já não fazia sentido aquelas fotos amarelando na minha porta. As portas se fecharam para nosso futuro, e o que restou? Pedaços de fotos no chão, lágrimas e saudade.
Saudade do que foi bonito, da pureza, das caminhadas, do vento no rosto, dos beijos inesperados, das mãos dadas e da fé infinita em nós.
Saudade dos planos que nunca se realizarão, das viagens que nunca faremos, dos saltos de paraquedas que nunca daremos, da casa que nunca será comprada, dos pratos e receitas que nunca serão preparados, dos passeios de bicicleta que nunca se concretizarão, das crianças que nunca correrão no jardim, do jardim.
Eu via seu rosto naquelas fotos, imaginava tudo de bonito que vivemos, sentia meu coração aquecer, porque ver o seu sorriso quando olhava para o teto e imaginava seus sonhos e planos era como ver estrelas cadentes explodindo no céu. Mas eu prometo, sempre que eu vir uma estrela cadente, vou fazer um pedido para que Deus esteja cuidando bem de você.
Rasgar as fotos foi um ato impiedoso, mas também de salvação das nossas lembranças. Eu o fiz com a suavidade de quem ama, mas a pressa de quem sabe que não tem mais tempo. Agora não as tenho mais impressas, mas estão todas salvas na minha memória, em diversos pedaços, que eu posso montar como um quebra cabeça, com cuidado, com jeito, com carinho, igual eu fazia quando arrumava o lençol no seu rosto para que não se incomodasse com a claridade do sol de manhã.

Haviam pedaços das nossas fotos no chão, e eu também estava lá, com eles, despedaçada.

Foi o momento em que eu mais te amei na vida. Foi o momento em que eu me libertei.

“tEM DÓ, PEQUENININHA”

sexta-feira, agosto 9, 2013

bruemalu
“…Mas quando a gente se vê,
É uma alegria sem fim.
A gente pega a saudade,
E manda ao longe assim.”

[Trio Virgulino]

cORRA (RISCOS)

terça-feira, agosto 6, 2013

Não há como acalmar o coração senão vivendo.
Parece que nunca conseguiremos fazer, mas vamos fazer, acredite, toda a vida foi feita de sustos bons.
Somente tememos o que é importante. Somente temos dúvidas do que é essencial. Somente entramos em crise por enxergar com clareza a dimensão de nossa escolha.
Os riscos valorizam a recompensa.
Viver não é para solitários. Sempre tem alguém nos chamando para nos acompanhar no perigo.

[Fabrício Carpinejar, ‘O impossível é o sobrenome do medo’]

pRETA

segunda-feira, agosto 5, 2013

maluu

“Eu sei que o tempo anda difícil,
E a vida tropeçando,
Mas se a gente vai juntinho,
Vai bem…”

[Mallu Magalhães]

mE ABRACE

sexta-feira, agosto 2, 2013

“Não consigo olhar no fundo dos seus olhos
E enxergar as coisas que me deixam no ar, me deixam no ar.
As várias fases, estações, que me levam com o vento,
E o pensamento bem devagar…

Outra vez, eu tive que fugir,
Eu tive que correr, pra não me entregar.
As loucuras que me levam até você,
Me fazem esquecer, que eu não posso chorar…”

[Roberta Campos]

sEJA BEM VINDO :)

quinta-feira, agosto 1, 2013

CALENDÁRIOVan Gogh Calendar 2013: The Hill of Montmartre with Stone Quarry, 1886.

sEJA LEVE

quarta-feira, julho 31, 2013

“Ao contrário de Parmênides, Beethoven parecia considerar o peso como algo positivo… o peso, a necessidade e o valor são três noções intrinsecamente ligadas: só é grave aquilo que é necessário, só tem valor aquilo que pesa.”

  [Milan Kundera, ‘A insustentável leveza do ser’.]

aMANHECER

quarta-feira, julho 31, 2013

amanhecer

“Quando o sol nascer será
Para desenhar você,
Ou será você que virá,
Pro sol nascer?”

[Vanessa da Mata]

segunda-feira, julho 29, 2013

 

 

 

 

 

“Ainda que eu falasse a língua dos homens,
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor, eu nada seria…”

[Legião Urbana]

segunda-feira, julho 29, 2013

“Foi só a voz guia,
Foi nem a metade,
Foi estrela guia,
Foi tanta verdade.
Um mero rascunho,
Mas foi divindade,
Grafite no muro
Da minha saudade.”

[Lenine]

vIVER É BOM…

domingo, julho 28, 2013

SAM_1267

…Partida e chegada,

Solidão?

Que nada!

[Cazuza]

rESPOSTA

quinta-feira, julho 25, 2013

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Você está vendo o que está acontecendo?
Nesse caderno sei que ainda estão os versos seus,
Tão meus, que peço (…) que os aceite em paz.”

[Skank]

mORANGO, CHOCOLATE E ESTRELAS

terça-feira, julho 23, 2013


Eu gostei de ouvir o som da sua voz de novo. De imaginar. Você que falava tanto, pelos dedos, e repentinamente silenciou. Tentei em vão entender ou chegar a alguma conclusão, mas não havia nenhuma, você parou de respirar perto de mim e eu não soube chegar de volta até você.
Tem sido difíceis os últimos dias, sabe? O peso dobrou, a ferida não sarou, a chuva não cessou e eu continuo confusa e atrapalhada, como eu havia te dito outro dia. Continuo com os mesmos bloqueios, as mesmas saudades, os mesmos desejos. Aquele velho frio na barriga não passou, como você deve ter imaginado, mas eu sinto que tem algo diferente também… Para mais ou para menos. Talvez mais vontade de ter menos medo.
Pode ser que as coisas mudem, pode ser que permaneçam iguais, pode ser que as distâncias aumentem, que os seus sorrisos não sejam mais partilhados comigo, mas eu quero saber de muitos sorrisos seus. De felicidade, de surpresas (boas), de desejos realizados, de reencontros, de paz, de som e de luz. E que continue correndo, correndo muito, em direção a isso que você acredita ser tão bonito, e que eu sei que é também. Sonhe, sonhe muito, porque eu consigo enxergar a concretização de tudo isso mais adiante. Porque você merece, porque você é capaz e porque eu só consigo desejar coisas boas a você e te querer muito bem. Só o bem.

“If I could reach the stars,
Pull one down for you.”
[Eric Clapton]

“àS CAUSAS PERDIDAS”

sexta-feira, julho 19, 2013

eh

vOCÊ SABE,

sexta-feira, julho 19, 2013

Eu me perdi. Perdi o sentido da estrada, perdi de vista a estrela que me guiava, perdi a lembrança do caminho de volta, perdi a lembrança. Perdi tudo. Perdi-me de mim. Você sabe.

oRAÇÃO

quarta-feira, julho 17, 2013

Alivia minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte e sim a vida, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que eu receba o mundo sem medo, pois para esse mundo incompreensível nós fomos criados e nós mesmos também incompreensíveis, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade e paciência comigo mesma, amém.

(LISPECTOR, Clarice. Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, pág. 112.)

eNTÃO ME EXPLICA

terça-feira, julho 16, 2013

“Hoje, mais uma vez, eu vi o sol sair. Fiquei sem dormir de tanto pensar. O volume, a cabeça a mil, e uma dúvida: Sera que a gente enlouqueceu, deixou o barco virar? Sera que a gente enlouqueceu, deixou poeira subir? Sera que a gente enlouqueceu, deixou um cheiro no ar? Sera que a gente enlouqueceu e se deixou levar? Sera que a gente enlouqueceu, ou quem enlouqueceu fui eu? Sera que tudo aconteceu dentro da minha cabeça?

Foto0514

[Será? – Bicho de pé]

o VENTO…

terça-feira, julho 16, 2013

Eu me entrego às dúvidas,

Você me deixa à margem delas.

Eu fico na margem,

Mas com você do lado.

Eu fico do lado,

No sentido oposto da tempestade.

Eu fico na sua direção,

Eu perco todos os sentidos.

Eu deixo meus passos na areia,

Eu não te perco porque não te tenho,

Eu não me [te] encontro mais.

tOCA BAIXINHO, MEU CORAÇÃO

segunda-feira, julho 15, 2013

SAM

vOU SENTIR SAUDADES, MEU AMOR…

sexta-feira, julho 12, 2013

Bob

Drão!
O amor da gente
É como um grão,
Uma semente de ilusão,
Tem que morrer pra germinar,
Plantar nalgum lugar,
Ressuscitar no chão,
Nossa semeadura.
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer?
Nossa caminhadura,
Dura caminhada,
Pela noite escura…

Drão!
Não pense na separação,
Não despedace o coração,
O verdadeiro amor é vão,
Estende-se infinito.
Imenso monolito,
Nossa arquitetura.
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer?
Nossa caminhadura,
Cama de tatame,
Pela vida afora…

Drão!
Os meninos são todos sãos,
Os pecados são todos meus,
Deus sabe a minha confissão,
Não há o que perdoar.
Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão,
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer?
Se o amor é como um grão,
Morre, nasce trigo,
Vive, morre pão.
Drão!

[Gilberto Gil]

cHOVE LÁ FORA

quinta-feira, julho 11, 2013

nO PARAÍSO

quarta-feira, julho 10, 2013

I must be strong,
And carry on,
‘Cause I know I don’t belong,
Here in Heaven.
 

[Eric Clapton]

As ondas vinham na minha direção e me quebravam ao meio. Os pedaços do meu corpo caíam no chão, e eram levados pela correnteza do mar. Você falou daquele dia (26?), o alarme tocou alto, pessoas correndo e subindo as escadas, meu olho no teu.

Você gritou alto, eu ouvi daqui, onde estará a distância? Eu subi tantos degraus, mas ainda assim conseguia te ver: camisa preta, tênis sujos, pasta na mão, aquele sorriso encantador-revelador-assustador, para mim.

Fez frio a noite inteira, mas não me faltou ar. Sobrou espaço na cama, faltou espaço no peito.  Tentei tocar seu rosto, mas permaneci imóvel. Ouvi um som ao longe, as cordas destoavam da melodia, você segurou firme minha mão, eu soltei.

Acordei.

é TUDO MEU!

terça-feira, julho 2, 2013

Ao invés de reclamar, agradecer mais.
À vida, às pessoas, às estrelas, aos bons sentimentos.
Olhar ao redor e ver que tudo está bem, sim.
E que se for pra reclamar, que seja do mau humor.
Se for pra brigar, que seja por mais igualdade.
Se for pra exigir, que seja mais carinho.
Se for pra maldizer, que seja da distância.
Se for para não aceitar, que seja a intolerância.
E que eu nunca deixe de acreditar na minha força e na minha luz.
E que sempre eu tenha riso, fé e certeza de que as coisas podem sempre melhorar.
E que nunca me falte vida, amor e vontade.
E que eu sempre tenha convicção de que tudo o que há de melhor no mundo, vive em mim.
E o resto… Ah, o resto, eu vou conquistar!

dEIXA, DEIXA…

domingo, junho 16, 2013

Deixa passar, como os dias, como o vento, como as estrelas cadentes. Deixa apagar, como a chama da vela que acendeu quando a energia faltou. Deixa acabar, com a mesma surpresa com o qual começou. Deixa as tardes serem esquecidas, afinal, foram feitas para tal. E a folhas continuarão a cair e a nascer no alto das árvores, as ondas permanecerão no seu eterno vai e vem, as pessoas continuarão a seguir com a mesma vida de sempre, e a chuva… Ah, a chuva. Pode sumir também.

uM DIA, DOIS, NUNCA MAIS

segunda-feira, abril 29, 2013

A gente vai esquecendo, sabe?
Pouco a pouco, dia a dia…
De repente se vai a cor favorita, o cheiro, a imagem do rosto amassadinho logo de manhã…
Quando menos se espera, você não lembra a comida menos pedida, o jeito de andar, o tom de voz…
No final do dia, você força para sentir aquele frio na barriga do reencontro, a vontade de ter vontade…
E um dia você acorda, vasculha na memória todas as lembranças, e só encontra vestígios vagos do que se foi para não voltar mais.

“Yes, I would dearly love to run away,
From your shadow,
For just one day.

I don’t ever want to steal your time,
‘Cause you seem fine
And I feel blue.
And I dont want to say the things i do,
‘Cause I know I feel it more than you.”

[One Day – Kt Tunstall]

yOU WILL SHELTER ME, MY LOVE

segunda-feira, abril 22, 2013

cORPOS, SANGUE E SUOR

segunda-feira, abril 15, 2013

Quisemos nos enganar e enganar aos outros, mas o que fazer? Os convidados estão todos na sala, querido. “Olá, bom dia, parabéns!”. Não há como simplesmente dispensá-los, você sabe. Eles certamente irão querer saber o que houve, serão inúmeras perguntas a responder, seremos pouca resposta a dar.
Teremos que esconder o corpo, lavar as paredes, borrifar algum perfume barato e forte o suficiente para disfarçar o cheiro de sangue e agonia. E eu agonizo só de lembrar, foi uma morte demorada, sofrida, e havia sangue demais. Não gosto de sangue, mas amo vermelho.
Lembro de uma história que meu avô contou um dia, havia um homem mau que virava lobisomem, um velhinho de olhos doces. Quanta ironia! Dormi mau por dias, “dorme, menina, dorme e tenha bons sonhos…”, dane-se!
Tenho cachorros que só latem, não existem mais os que se transformam em lobisomens, mas há uma porção de homens maus por aí…
Você desferiu os golpes com tanta frieza, sempre foi bom com cortes e lâminas.
De qualquer forma, escrevi uma carta de despedida, as pessoas podem simplesmente ir embora, igual àquela tia da sua antiga vizinha.
O crime não compensa.
Você cultivou pesadelos no meu jardim dos sonhos.
Boa noite, mon amour.

dEPOIS DAS DEZ

sexta-feira, abril 12, 2013

“Diga até mais, mesmo se for adeus.”

Engenheiros do Hawaii

fIM

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

cadeiravazia

Não há no mundo coisa mais triste do que  amor doente.
Quando é por causas naturais, a única coisa a se fazer é tratar com doses de carinho e paciência, na espera da cura. Já quando as causas são de ordem humana, de mal uso ou até desuso, o jeito é esperar o fim. Sentado numa cadeira, ou simplemente arrumar as malas e deixar o amor morrer, sem acompanhar, sem rezar, sem chorar nos últimos momentos, sem enterrar o pouco que restou.
Qual a pior opção? Não há. O fim do amor é a pior opção, é a covardia maior do ser humano, é a certeza de ter deixado escapar o que havia de mais bonito na vida. É o fim, isso já basta. E só.

vINTE E QUATRO

sexta-feira, janeiro 25, 2013

Algumas vezes, as coisas simplesmente esquecem de acontecer.

mAIS UM DIA

quinta-feira, janeiro 24, 2013

[Khaled Hosseini, A Cidade do Sol]

é CEDO

quarta-feira, janeiro 23, 2013

 

Ainda é cedo, amor,
Mal começaste a conhecer a vida,
Já anuncias a hora de partida,
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar.

Preste atenção, querida,
Embora eu saiba que estás resolvida,
Em cada esquina cai um pouco a tua vida,
Em pouco tempo não serás mais o que és.

Ouça-me bem, amor,
Preste atenção, o mundo é um moinho,
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos,
Vai reduzir as ilusões a pó.

Preste atenção, querida,
De cada amor tu herdarás só o cinismo,
Quando notares estás à beira do abismo,
Abismo que cavaste com os teus pés.

[Cartola]

Às vezes, vocé só sabe que foi longe demais quando está lá. E, é claro, quando isso acontecer, já é tarde demais.

[Do filme Feast of love – Banquete do amor]

dEMORANDO

sábado, janeiro 19, 2013

Você acendeu as luzes da minha vida. Tudo fica mais iluminado cada vez que você aparece, e eu volto a pensar que estou tendo problemas com a claridade, porque meus olhos doem… Luzes queimadas, cortinas fechadas, nada resiste por muito tempo ao seu brilho.  Doem meus ossos, dói meu coração. De saudade, de vontade, de você.

(:

quinta-feira, janeiro 17, 2013

nÃO ME FALTE

segunda-feira, janeiro 7, 2013

Ainda posso ouvir seus passos.
Ainda sinto o cheiro do seu sorriso e o calor da sua voz.
Ainda vejo você, sinto você, beijo você, amo você, espero você,

 

<3

 

todos os dias, em mim.

pERTO DEMAIS

quinta-feira, dezembro 20, 2012

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cOMO UM DIA DE DOMINGO

quarta-feira, dezembro 19, 2012

Viver é um eterno faz e desfaz de malas…

e FOI POR AMOR

terça-feira, dezembro 18, 2012

Foi só um sorriso e foi por amor,
Nenhuma ironia, não foi por mal.
Foi quase uma senha pra te tocar,
Nem foi um sorriso, foi um sinal.

Por trás das palavras, da raiva, de tudo,
Sorri pra tentar chegar em você.
Foi como fugir pra nos proteger,
Enquanto eu sorrir ainda posso esquecer.

Quem vai te abraçar?
Me fala, quem vai te socorrer?
Quando chover e acabar a luz,
Pra quem você vai correr?
E quem vai me levar,
Entre as estrelas, quem vai fazer,
Toda manhã me cobrir de luz,
Quem, além de você?

Ninguém tem razão, tenta me entender,
E a gente é maior que qualquer razão.
Foi só um sorriso e foi por amor,
Te juro do fundo do coração.

Foi como tentar parar esse trem,
Com flores no trilho e acenar pra você,
Parece absurdo, eu sei, mas tentei,
Enquanto eu sorrir ainda posso esquecer.

Deixa isso passar, e quando passar,
Vou estar aqui te esperando.
Pra te receber,
E sorrir feliz, dessa vez,
Que esse amor é tanto.

Quem vai te abraçar?
Me fala, quem vai te socorrer?
Quando chover e acabar a luz,
Pra quem você vai correr?
E quem vai me levar
Entre as estrelas, quem vai fazer,
Toda manhã me cobrir de luz,
Quem, além de você?
Quem, além de você?

aPENAS O SILÊNCIO

segunda-feira, dezembro 17, 2012

Querido,

Tenho certeza de que estou enlouquecendo de novo.
Sinto que não podemos passar por outra daquelas
terríveis fases. E desta vez não ficarei curada.
Começo a ouvir vozes, e não posso me concentrar.
Assim, estou fazendo o que me parece melhor.
Você me deu a maior felicidade possível. Não creio
que duas pessoas pudessem ser mais felizes até
chegar esta doença terrível. Não consigo mais lutar.
Sei que estou estragando a sua vida e que sem
mim você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Está
vendo, nem consigo mais escrever adequadamente.
Não consigo ler. O que quero dizer é que devo a você
toda a felicidade da minha vida. Você foi absolutamente
paciente comigo e incrivelmente bom. Quero dizer isso —
e todo mundo sabe. Se alguém pudesse me salvar, teria
sido você. Perdi tudo, menos a certeza da sua bondade.
Não posso mais continuar estragando sua vida. Não creio
que duas pessoas tenham sido mais felizes do que nós fomos.

[Carta de Virginia Woolf a seu amado Leonard Woolf]

aCOSTUMAR

quarta-feira, dezembro 12, 2012

É, parece que o Sol vai demorar alguns dias para voltar a nascer…

nuvens

“Mas tudo bem,
Tudo bem, tudo bem…
Lá vem, lá vem, lá vem
De novo…
Acho que estou gostando de alguém,
E é de ti que não me esquecerei.”

[Legião Urbana]

tANTO TEMPO FAZ

sábado, dezembro 8, 2012

“Não, não vá me dizer palavras que venham me fazer chorar depois.”

[R.C.]

nÃO TENTE

sábado, dezembro 8, 2012

“Mas eu duvido que ele tenha tanto amor,
E até os erros do meu português ruim.”

[R.C.]

a LUZ APAGADA

sábado, dezembro 8, 2012

“Eu sei, que flores existiram,
Mas que não resistiram
A vendavais constantes.
Eu sei, que as cicatrizes falam,
Mas as palavras calam
O que eu não me esqueci…”

[R. C.]

sEMPRE

sexta-feira, dezembro 7, 2012

Ninguém vive de amor.
Ninguém morre de amor.
O amor não exige nenhum verbo.
O amor não exige.

O amor liberta.

Ninguém mata por amor.
Há quem viva por amor.
O amor não é desculpa, pede desculpa.
O amor não procura causa, é consequência.

O amor liberta.

O amor é casa.
O amor não marca hora.
O amor adora se mostrar.
O amor dá seus sinais.

O amor liberta.

e O VENTO VAI LEVANDO TUDO EMBORA

sexta-feira, dezembro 7, 2012

De tarde quero descansar,
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte,
E vai ser bom subir nas pedras.
Sei que faço isso pra esquecer,
Eu deixo a onda me acertar,
E o vento vai levando tudo embora…

Agora está tão longe, vê,
A linha do horizonte me distrai.
Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos,
Na mesma direção.
Aonde está você agora,
Além de aqui, dentro de mim?

Agimos certo sem querer,
Foi só o tempo que errou,
Vai ser difícil sem você,
Porque você está comigo o tempo todo.
E quando vejo o mar,
Existe algo que diz
Que a vida continua e se entregar é uma bobagem.
Já que você não está aqui,
O que posso fazer
É cuidar de mim.
Quero ser feliz ao menos,
Lembra que o plano era ficarmos bem?
Ei, olha só o que eu achei: cavalos-marinhos…

Sei que faço isso pra esquecer,
Eu deixo a onda me acertar,
E o vento vai levando tudo embora…

sABEMOS

segunda-feira, novembro 26, 2012

Você sabe quando duas pessoas se pertencem.

[Trecho do filme Feast of love, Banquete do amor].

sÓ PRA MIM

sábado, novembro 24, 2012

fALANDO DE AMOR

sábado, novembro 24, 2012

Às vezes, digito seu nome antes mesmo de pensar em você.

Minhas mãos me denunciam, são ágeis.

Até seguem a orientação do pensamento,

mas primeiro, a do coração.

hÁ DE VIR

sábado, novembro 24, 2012

Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá.
Pode ser cruel a eternidade,
Eu ando em frente por sentir vontade.

Eu quis te convencer, mas chega de insistir,
Caberá ao nosso amor o que há de vir.
Pode ser a eternidade má,
Caminho em frente pra sentir saudade.

Paper clips and crayons in my bed,
Everybody thinks that I am sad,
I’ll take a ride in melodies and bees and birds.
Will hear my words,
Will be both us and you and them together.

I can forget about myself,
Trying to be everybody else,
I feel alright that we can go away,
And please my day
I’ll let you stay with me if you surrender.

Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar,
(I can forget about myself,
Trying to be everybody else)
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá.
(I feel all right that we can go away)
Pode ser a eternidade má,
(And please my day)
Eu ando sempre pra sentir vontade.
(I’ll let you stay with me if you surrender).

 

[Janta – Marcelo Camelo]

 

eU VEJO CORES EM VOCÊ

quarta-feira, novembro 21, 2012

Eu preciso de tinta. Preciso de pincéis e uma escada.

Melhor, cancela a escada, eu posso voar.

Azul, verde, vermelho, amarelo, violeta, azul, azul, azul.

Vou pintar o teto do meu quarto, vou encher de formas e de círculos.

Pontinhos, sorrisos e sinais.

Não quero nada pontiagudo, nada que fossa ferir ou cortar, eu quero ciclos infinitos.

A única coisa simétrica vai ser meu nome junto do teu.

Acordar e ver um arco-íris.

Adormecer vendo o nosso amor.

lEVE

terça-feira, novembro 13, 2012

“Fechei os olhos e pedi um favor ao vento:

Leve tudo o que for desnecessário.

Ando cansada de bagagens pesadas…

-Daqui para frente apenas o que couber no bolso e no coração.”

[Cora Coralina]

nO NOSSO INFINITO

segunda-feira, novembro 12, 2012

Eu quero dormir, acordar, viver…
Com você, por você, todos os dias.

vOCÊ SABE QUE SIM

sexta-feira, novembro 9, 2012

“Talvez o amor seja como um local de descanso, um abrigo da tempestade.
Ele existe para te oferecer conforto, ele está lá para te manter aquecido,
E naqueles tempos de dificuldade, quando você está sozinho,
A lembrança do amor vai te trazer de volta para casa…

Talvez o amor seja como uma janela, talvez uma porta aberta,
Ele te convida para chegar mais perto, ele quer te mostrar mais.
E mesmo se você perder a si mesmo e não souber o que fazer,
A lembrança do amor vai te acompanhar…

O amor para alguns é como uma nuvem, para alguns tão forte como o aço,
Para alguns um modo de vida, para alguns um modo de sentir.
E alguns dizem que o amor está persistindo, e alguns dizem que está desistindo.
E alguns dizem que o amor é tudo, e alguns dizem que não sabem…

Talvez o amor seja como o oceano, repleto de conflito, repleto de dor,
Como uma chama quando está frio lá fora, um trovão quando chove.

Se eu viver eternamente e todos os meus sonhos tornarem-se realidade,
Minhas lembranças do amor serão sobre você…”

Perhaps Love (Tradução) – John Denver

tODO AMOR VOLTA

sexta-feira, novembro 2, 2012

É preciso alguma certeza até para escolher nossas dúvidas.     

[Fabrício Carpinejar]

vAI SABER

quinta-feira, novembro 1, 2012

A gente só alimenta o que tem fome.

sIMPLESMENTE

quinta-feira, novembro 1, 2012

O segredo é não esperar. Nada.

 

 

É pensar no hoje, porque é só o que temos.

Sem planos, expectativas, sonhos…

O amanhã não existe.

 

 

Nunca. [Mais].

quarta-feira, outubro 31, 2012

“Conto os dias,
Conto as horas,
Os minutos vão
Cada vez mais devagar.
Tudo bem, vai passar.”

[Pedro Mariano – Sei de mim]

cAFÉ COM AÇÚCAR

quarta-feira, outubro 31, 2012

sE VOCÊ DIZ NÃO VIVER SEM MIM

segunda-feira, outubro 29, 2012

 

Eu gosto do claro, quando é claro que você me ama,
Eu gosto do escuro, no escuro com você na cama,
Eu gosto do não, se você diz não viver sem mim,
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui,
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe,
Eu amo a demora, sempre que o nosso beijo é longo,

Adoro a pressa, quando sinto
Sua pressa em vir me amar,
Venero a saudade, quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já…

Mande um buquê de rosas, rosa ou salmão,
Versos e beijos e o seu nome no cartão,
Me leve café na cama amanhã,
Eu finjo que eu não esperava.
Gosto de fazer amor fora de hora,
Lugares proibidos com você na estrada,
Adoro surpresas sem datas,
Chega mais cedo, amor,
Eu finjo que eu não esperava.

Eu gosto da falta, quando falta mais juízo em nós,
E de telefone, se do outro lado é a sua voz,
Adoro a pressa, quando sinto
Sua pressa em vir me amar,
Venero a saudade, quando ela está pra terminar,
Baby, com você chegando já…

Gosto de fazer amor fora de hora,
Lugares proibidos com você na estrada,
Adoro surpresas sem datas,
Chega mais cedo, amor,
Eu finjo que eu não esperava…

 

qUANDO É VOCÊ

segunda-feira, outubro 29, 2012

Quando eu pedir silêncio, sussurre baixinho algo bonito em meu ouvido. Quando eu te mandar ir embora, fique mais um pouco. Quando eu tiver dúvidas, me dê certezas. Quando eu te pedir para fazer alguma escolha, que eu seja ela. Quando eu disser que está tudo bem, certifique-se de que está mesmo. Quando eu tiver medo do escuro, mostre-me que eu não estou sozinha. Quando eu ficar triste, me dê o mais bonito dos seus sorrisos. Quando eu ficar agitada, ajude-me a manter a calma.  Quando eu estiver insegura, prove que ainda sou a única que você quer. Quando eu estiver com raiva, me beije. Quando eu disser sim, venha. Quando eu gritar não, venha mais rápido ainda. Quando eu não esperar, invada o meu mundo. Quando tivermos pouco tempo, faça cada segundo valer a pena. Quando eu sorrir, me beije. Quando eu chorar, me beije também. Quando eu ficar indiferente, faça a diferença. Quando eu esquecer, não me esqueça. Quando eu tentar ir embora, me segure firme. Quando eu quiser espaço, me dê o espaço que existe entre cada braço teu. Quando eu tiver um pesadelo, segure a minha mão. Quando eu trancar a porta, me convença a abri-la. Quando eu não acreditar mais, acredite por nós dois. Quando eu enlouquecer por você, enlouqueça comigo. Quando você estiver distante, deixe-me chegar mais perto. Quando eu bater a sua porta, esteja a minha espera. Quando fizer frio, seja o meu cobertor. Quando meu coração sangrar, faça cuidadosamente os seus curativos. Quando eu cansar, não canse de mim. Quando eu pensar em desistir, me convença a ficar. Quando as coisas parecerem bagunçadas ou fora de lugar, arrume-as comigo. Quando meu olhar estiver perdido em algum ponto, saiba que eu vejo você lá. Quando o mundo parecer contra nós, seja ao nosso favor, comigo. Quando eu quiser te roubar pra mim, não resista, entregue-se. Quando eu mudar, acredite, não vai ser por muito tempo. Quando eu disser que não quero mais, saiba que você é o único que eu quero. Quando eu quiser voar, me mostre o caminho até você. Quando eu não quiser ouvir, me convença. Quando o dia não for dos melhores, seja o melhor pra mim. Quando eu precisar te ouvir, fale um pouco mais. Quando eu estiver em pedaços, cole-me com carinho. Quando a porta estiver aberta, feche-a, mas fique do lado de dentro. Quando eu te machucar, aceite o meu pedido sincero de desculpas e me deixe cuidar de você. Quando eu não quiser mais, eu ainda quero. Quando eu pensar em outra vida, prove-me que não há vida melhor que a nossa. Quando você tiver que ir, vá, mas te deixe gravado em mim. Quando eu complicar as coisas, ajude-me a lembrar do quão a nossa simplicidade me faz feliz. Quando eu me perder, que eu me perca nos seus beijos. Quando eu te pedir para ficar só, entenda que eu só quero ficar com você. Quando eu tentar te achar, que eu te encontre dentro de mim. Quando eu disser nunca, lembre-se que você é o meu sempre. Quando eu pensar no futuro, ajude-me a construir nossos castelos. Quando eu sonhar, seja o meu maior sonho. Quando eu precisar de amor, mostre-me que eu não preciso porque o tenho, em você. Quando eu cair, me ampare. Quando eu estiver errada, não deixe de acreditar que eu estou sempre tentando ser a pessoa certa pra você. Quando o seu passado me assustar, lembre-me que eu sou o seu (melhor) presente. Quando eu não te procurar, é quando eu preciso mais de você. Quando você tiver opções, que eu seja a única opção que você realmente deseja. Quando eu estiver ansiosa, me dê paz. Quando eu estiver em paz, me ame. Quando eu estiver em guerra, me ame. Quando eu estiver triste, me ame. Quando eu estiver fria, me ame. Quando eu estiver luz, me ame. Quando eu não estiver, me ame. E quando eu sentir saudades, volte para casa, volte pra mim…

e DESDE ENTÃO

domingo, outubro 28, 2012

“Eu me pergunto se todos nós sabemos a que lugar pertencemos e se sabemos dos nossos corações.
Porque hipótese não fazemos nada a respeito.
A vida deve ser mais que isso, deve ter um propósito para cada um de nós, um lugar ao qual pertencemos.
Eu sou o momento em que o conheci.”

(Trecho do filme Beyond Borders)

vERMELHO

quinta-feira, outubro 25, 2012

Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa?

nA MADRUGADA

terça-feira, outubro 23, 2012

“Até que pôde chorar, e chorou muito, um choro solto, sem vergonha nenhuma, de menino ao abandono. E, sem saber e sem poder, chamou alto soluçando:
-Mãe, mãe…”

 

[Sagarana, Guimarães Rosa]

eM PEDAÇOS

terça-feira, outubro 23, 2012

Imagem
Há qualquer coisa dentro de mim que me magoa.
[Charles Bukowski]

dOM

segunda-feira, outubro 22, 2012

“Voltei-me para ela; Capitu tinha os olhos no chão. Ergueu-os logo, devagar, e ficamos a olhar um para o outro… Confissão de crianças, tu valias bem duas ou três páginas, mas quero ser poupado. Em verdade, não falamos nada; o muro falou por nós. Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas as quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se. Não marquei a hora exata daquele gesto. Devia tê-la marcado; sinto falta de uma nota escrita naquela mesma noite, e que eu poria aqui com os erros de ortografia que trouxesse, mas não traria nenhum, tal era a diferença entre o estudante e o adolescente. Conhecia as regras do escrever, sem suspeitar as do amar”.

[Dom Casmurro, Machado de Assis]

cUIDA

quinta-feira, outubro 18, 2012

Aperta o meu coração, uma vontade de dizer sem saber se o outro quer ouvir: cuida de você, você pode, você é capaz, não fica aí nesse lugar. Vontade de dizer, compassiva, com empatia, porque eu muitas vezes também fiquei esperando. Até começar a entender que, depois que a gente cresce, a proteção amorosa, o suporte, a delicadeza, precisam começar na nossa relação com nós mesmos… Uma benção receber amor. Mas quando a gente dói, a gente precisa saber formas de cuidar da própria dor com o jeito carinhoso com que gostaríamos de ser cuidados pelos outros, com a delicadeza com que cuidamos de outras pessoas. A gente precisa se ter, antes de tudo. O beijo precisa começar em nós.
Ana Jácomo

“e NEM ASSIM SE PÔDE EVITAR…”

quinta-feira, outubro 18, 2012

O vento canta lá fora e eu abro a janela para ouvi-lo melhor. Eu tenho tentado entender os recados e mensagens que a vida tem me dado, mas não é fácil fazê-lo quando existem tantas curvas pelo caminho.  Na verdade, eu tenho tentado achar o caminho, mas parece que nenhum deles dá para o rio. Então o que faço é me enganar, dia após dia, agindo como se eu fosse encontrá-lo no final. Mas eu sei que isso não vai acontecer. Sei que, por mais que eu siga a direção que as estrelas apontam, elas jamais me levarão até lá. No fim das contas, o meu desejo de desaguar junto dele é pura ilusão. Não levo jeito pra rio, não sou tão bonita, serena ou estável, eu sou a confusão. Sou o que muda a cada segundo, sou a vontade de estar junto e nunca mais estar depois, sou o céu e o inferno, sou o que resta depois do furacão. Furacão, entende? Não um rio. Não o frescor, o aconchego, os corpos colados e o cheiro de terra molhada. Eu ouço vozes e me sinto inundada por um sentimento que eu nem sei explicar. Eu sinto tanto. Eu sinto muito. As pessoas falam da beleza do mar, mas nada nesse mundo se compara à paz que um rio traz. A triste ironia é insistir na ilusão de nesse rio me encontrar, e então me perder pra sempre.

O vento canta lá fora e eu abro a janela para ouvi-lo melhor. É pra mim a música de ninar que ele canta, é o meu rosto que ele beija, são os meus cabelos que ele acaricia até eu dormir. O vento sempre me leva em direção a você.

tODO DIA, UM POUCO MAIS

terça-feira, outubro 16, 2012

“Esqueça! As horas nunca andam para trás…”

 

[M.R.]

dE MANSINHO

sábado, outubro 13, 2012

Deixa eu cuidar de tudo, do seu coração,

meu coração.
Deixa eu chegar de mansinho, que é só teu o meu carinho,

até o amanhecer.
Deixa o amanhecer chegar tarde, que logo o sol invade

o nosso caminhar.
Deixa os passos na estrada, deixa a mala arrumada,

e o seu sonho de viajar assim;
Como quem não quer nada, como numa fuga acelerada,

à voltar pra mim.

[Até, quem sabe, o nosso ponto final não dar num fim.]

Imagem

eU SEMPRE SOUBE

segunda-feira, outubro 8, 2012

Não existe imunidade. Não tem como se defender da saudade.

Carpinejar

eM BRANCO

quinta-feira, outubro 4, 2012

A página em branco insiste em permanecer assim e parece que, repentinamente, surge algo ainda mais teimoso que eu. Talvez, quem sabe, as primeiras palavras deste texto podem ser: eu sinto a sua falta. E isso é um fato, tem sido o meu estado, que de sólido passou pra líquido tão rapidamente, já que eu derreto toda vez que penso em você e percebo o quão o mundo é ‘sem’ quando eu não te tenho. Sem graça, sem vontade, sem amor…

Eu vou tolerar o silêncio, eu vou respeitar o espaço e cada canto dessa sala, como se eles fossem órgãos que, mesmo interligados, precisassem de sua [falsa] independência. E cada vez que o sol nascer, eu farei uma prece, e da mesma forma, quando ele se pôr, eu agradecerei pelo destino, pelo ar, pelos pulmões e pelos sinais. Sinais esses que me surgem sempre com mais dois pontos, quando eu insisto em usar um ponto final.

De todas as palavras mal ditas, de todos os erros cometidos, de todos os passos em falso, e no meio de toda essa confusão – que agora parece tão bem [mal] resolvida -, eu apenas queria que você soubesse que eu continuo aqui, com você. Mesmo que não esteja.

Aqui.

pOR BEM POUCO

quarta-feira, outubro 3, 2012

Eu também canso, eu também sinto dor, eu também preciso de colo e carinho.

Eu também.

Eu preciso.

Eu.

sIM

sexta-feira, setembro 28, 2012

Sabe, não importa se está frio, eu continuo acreditando em tudo. Acredito que a nossa vida será boa, porque nós assim o seremos. Acredito que as distâncias nunca existirão, que permaneceremos intactos, que o nosso bem maior sempre será o nosso amor. Acredito que eu apagarei a luz do quarto antes de irmos dormir, que cuidarei da sua alimentação, que inventarei maneiras de te apaixonar todos os dias. Acredito que serei eu quem encontrarei  todos os seus cabelos brancos, que te beijarei antes de ir dormir, que te acordarei aos beijos. Acredito que me olhará com a mesma devoção do começo, que dirá bobagens só pra me irritar, que me irritará por falar de menos, de mais, da lua, das possibilidades de se empregar teorias da conspiração ao nosso favor. Acredito que acreditará muito em mim, mesmo que eu nunca acredite. Acredito que me fará sentir sempre a única, melhor e mais amada de todas as mulheres. Acredito que brigaremos, e nos amaremos, e brigaremos, brigaremos, brigaremos, mas nos amaremos ao final de cada briga. Acredito que minha mão sempre será sua, assim como os pés, os sinais e todo o resto. Acredito nos nossos sinais. Acredito nos nossos passeios de bicicleta, nas nossas preguiçosas manhãs de domingo, nos agitados dias da semana. Acredito na saudade, no amor, no retorno, na força, no amor, na saúde, na fé, no amor, no seu cheiro, no café, no amor, no suco de cajá, no violeta, no amor, nas suas músicas pesadas, no seu amor manso, no seu amor.
No nosso amor. Acredito.
Acredite.

vONTADE, AH…

terça-feira, setembro 25, 2012

Não é necessário que seja perfeito, não mesmo. Perfeição demais poderia até estragar. A verdade é que não pode faltar vontade. Sim, vontade, ah… De abraçar, beijar, morder, sorrir, insistir, não resistir. De olhar mil vezes para a mesma foto e não ter dúvidas de que é aquilo que vai te satisfazer, de provar mil vezes a mesma comida e ter a certeza de que é aquilo que vai te completar. E em cada toque, sussurro, encanto, ouvir promessas ditas em silêncio, dizer silêncios eternizando promessas. Ah, vontade, vontade mesmo, não pode faltar. Vontade de olhar nos olhos, de fingir não sentir, de sentir sem fingir. Vontade de estar perto e, ainda assim, não ver a vontade ter fim. Vontade da madrugada, de corpos colados, de lua cheia de luz. Vontade de repensar, reavaliar, reconstruir. Vontade de ver o futuro, tão distante, aqui e agora. Vontade de riscar outros itens da lista, diminuir a quantidade de sal, comprar apenas metade do açúcar e cancelar a pimenta. Porque já não vai te faltar doçura ou calor, há um item substituto: Vontade, vontade… Vontade!

sE SOUBESSES

quinta-feira, setembro 13, 2012

Se você soubesse como brilham as estrelas da minha janela, viria aqui só pra olhá-las.
Se você soubesse como é forte o cheiro da chuva no meu portão, viria aqui só pra senti-lo.
Se você soubesse como é bonita a música do vento que bate no meu telhado, viria aqui só pra ouvi-la.
Se você soubesse como é linda a vista da lua aqui da minha porta, viria aqui só pra conferi-la.
E se você soubesse como é cheio de conforto o meu abraço, cheio de carinho o meu beijo e cheia de saudade a minha vida sem você, viria correndo so para confirmar, e  não se afastaria nunca mais de perto de mim.

lISTRAS AZUIS

quarta-feira, agosto 22, 2012

Eu pintei a parede da sala com tinta azul, fazendo listras exatas e com muita simetria. Eu precisava me recompor, recompor a sala e as coisas que eu quebrei quando você virou a esquina. Eu procurei atrás das portas, das cortinas, dos copos, e não encontrei a carta que você insistentemente não escreveu para mim, tão cheia de promessas e declarações de amor. Dizem que existem palavras que cortam, mas eu tenho a impressão que existem silêncios que cortam muito mais. Mas como eu ia dizendo, eu procurei atrás dos copos e aproveitei para lavá-los. E dentro de um deles eu encontrei um sonho que eu havia guardado há algum tempo, daqueles que apareceram quando você me surgiu cheio de luz. Eu o fiz recheado de desejo, com uma massa fina de carinho e uma casquinha deliciosa de saudade. Mas você não demonstrou muito interesse em provar, e então eu escondi no fundo daquele copo para nunca mais achar. Os sonhos da padaria se estragam, os meus, provenientes dos teus, não. É tão estranho, ainda mais agora que eu olho as listras azuis na parede tão cheias de sua ausência, ainda assim eu consigo construí-los passo a passo na minha mente, e eu lembro as vezes que você apontou o dedo para o horizonte e me falou que um dia chegaríamos lá. E eu vestia os meus sorrisos mais bonitos, e cruzava os dedos antes de dormir para sonhar com o nosso horizonte, tão dourado e cheio de luz, assim como os seus olhos quando me olhavam. Você tinha olhos brilhantes, mas suas mãos eram tão suaves que eu só conseguia ter olhos pra ela. E as vezes eu ficava me questionando se mãos tão delicadas poderiam me manter protegida dos perigos do mundo. Mas a verdade é que, com o passar do tempo, eu batizei a direita como “porto” e a esquerda como “seguro”, e isso não foi a toa. Por onde eu andava, eu as sentia me aparando de uma queda, me amparando do cansaço, me arrepiando a pele, me guiando para a sombra. Foi por isso que eu as cortei e guardei naquela caixa de sapato que ficava embaixo da minha cama com coisas antigas. Não que elas fossem antigas, mas eu simplesmente queria mantê-las guardadas por um período de tempo sem fim, podendo sempre pegar minha caixa escondida, trancar a porta do quarto e segurar forte suas mãos. E caso alguém viesse me perguntar o que eu estava fazendo, eu responderia asperamente:
– Eu ainda tenho as mãos dele, eu ainda tenho tudo sob controle!
Mas você sabe que é uma inverdade. Eu perdi o controle depois que cortei suas mãos e você percebeu que poderia viver sem elas e mais ainda sem mim. Você falou sobre o horizonte, mas de uma maneira diferente, e de repente não me cabia mais lá. E por ele ser tão grande, eu insistia em tentar ocupar meu lugar. As listras azuis na parede da sala representam o fim dos círculos e do ciclo chamado eu, você e suas mãos. A gente vai largando as coisas no meio da casa, sem perceber o que está acontecendo. A gente varre tudo e joga no lixo. Mas só depois é que percebemos que não está mais lá. As listras são azuis para lembrar o céu. O céu me lembra seus olhos cheios de luz. A luz me lembra das suas mãos tão cheias de mim. E eu, lembro de você, todos os dias, até amanhã, até nunca mais.

 

pROMISE

domingo, agosto 19, 2012

A flor que se banha com o orvalho da manhã uma hora murcha. A nuvem que fica suspensa guardando suas gotas para liberar quando chora, se desfaz. Um dia chove, lava a calçada, leva a terra, os passos, as letras escritas no chão. As frutas que amadurecem, caem das plantas, assim como as folhas no outono. As estrelas que surgem, brilham, ardem, flamejam indecentes de amor, explodem e somem. O sol que surge quando o dia vem, aquece, queima, e no fim do dia vai embora. A lua que espera ansiosamente poder aparecer, chamar atenção, jogar seu charme, filmar os olhos apaixonados dos apaixonados à beira mar, desaparece quando fica com sono e decide ir descansar sua beleza.  Dizem que esta é a lei da vida, o eterno ir e vir das ondas, o insistente aparecer e desaparecer das coisas. E funciona também com as pessoas. Há os que vêm e insistem em querer ficar, mas uma hora cansam, ou são simplesmente expulsos. Há os que vêm sem intenção de ficar, e o fazem depois de certa insistência. Mas, por fim, um dia acabam indo embora. Há os que passam e nem olham; os que pensam em parar, mas nem param; os que param sem pensar em ficar. Há os que amam, os que sorriem, os que falam, os que desejam, os que simplesmente sentem. E todos sentem muito, por fim. Lá de longe, as ondas anunciam a sua chegada através da brisa que bate no cabelo e arrepia a pele. A onda vai vir, mas vai passar. Você veio, você passou. [E ficou.]

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“My heart is drenched in wine,
But you’ll be on my mind
Forever…”

[Norah Jones]

iNFINITO

sábado, junho 9, 2012

 

 

 

 

 

“…meu amor não será passageiro,
te amarei de janeiro à janeiro,
até o mundo acabar…”

[Roberta Campos]

 

Você chegaria correndo todo dia.

[Chico Buarque]

tIC TAC, TIC TAC

segunda-feira, fevereiro 7, 2011

Meus braços ardem, queimados pelo sol. Minha boca também.
A estrada era longa e quente. O vento escondeu-se nalgum lugar.
Distante.
[Na cabeça, tantas lembranças e uma coleção de saudades.]
Meus olhos ardem, queimados pelo sol. Meu coração também.
Arde de saudade. Saudade de você. E desses seus olhos que tão meus são.
Algumas vezes penso que sou só impulso. Outras, vejo o quanto sou capaz de calcular certos atos.
[Tudo pensado.]
Pense em mim, quem sabe, antes de dormir, talvez.
Que em meu pensamento, você tem regulado cada movimento, como um relógio a fazer tic tac, acompanhando as batidas do meu coração.
[Num ritmo ligeiramente doce.]
Tic tac, tic tac, tic tac
[É você.]

mAIS ALÉM

domingo, fevereiro 6, 2011

Não demore.

Não demoro.

Demoremo-nos, pois, só em nós.

Em nós dois.

Nós dois.

Dois. [?]

Um só.

qUE SEJAMOS

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Por alguns segundos, em alguns raros momentos, penso que o melhor que poderíamos fazer, é fazer de conta. De conta que tudo está bem, que o mundo é só nosso, que estamos juntos e fortes pro que der e vier. Que o que vai vir será bom, que o que passou valeu a pena, e que o vivido no momento é importante o suficiente para nos fazer desejar que um dia seja real. E assim, fazendo de conta, aos encontros e desencontros, às partidas e  saudades, aos retornos e certezas, quem sabe assim, veríamos o nosso faz de conta fazendo de conta que isso tudo ainda é pouco perto do que está por vir.

Então, seja verdade, seja você, sejamos nós.

 

“…E como um par,
O vento e a madrugada,
Iluminavam a fada,
Do meu botequim…

Valsando como valsa
Uma criança,
Que entra na roda,
A noite tá no fim.

Ela valsando,
Só na madrugada,
Se julgando amada,
Ao som dos Bandolins…”

[Oswaldo Montenegro]

eSTA NOITE

quarta-feira, dezembro 29, 2010

“But you can say, baby…
Baby, can I hold you tonight?
Maybe if I’d told you the right words,
At the right time,
You’d be mine…”
Tracy Chapman

e VÃO PASSANDO, ESTRELAS CADENTES NA MINHA JANELA

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Vida marejada, nó apertado na garganta das coisas, chega finalmente o momento em que desejamos apenas o sossego que costuma vir com a aceitação. Coragem, às vezes, é desapego. É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta. É permitir que voe sem que nos leve junto. É aceitar que a esperança há muito se desprendeu do sonho. É aceitar doer inteiro até florir de novo. É abençoar o amor, aquele lá, que a gente não alcança mais.

 

[Caio Fernando Abreu]

dESCIDA

quinta-feira, dezembro 2, 2010

Eu te vejo

c
a
i
r

e não sei

o que

fazer,

mas eu penso

que a

única coisa

que eu realmente

queria

era simplesmente poder

escolher,

opinar,

decidir.

Apontar o dedo

e dizer firme:

– É aquilo ali e ponto final.

E ponto.

Ponto.

Fi

nal.

nÃO MESMO

quinta-feira, dezembro 2, 2010

“And it pains me so much to tell
That you don’t know me that way…”

 

 

Nelly Furtado

dEZESSETE

quarta-feira, novembro 17, 2010

“Se não for hoje, um dia será.
Algumas coisas,
por mais impossíveis e malucas que pareçam,
a gente sabe,
bem no fundo,
que foram feitas pra um dia dar certo.”

 

[C.F.A.]

[iM]PERFEITA SIMETRIA

domingo, novembro 7, 2010

“Então pegue o telefone ou um avião,
Deixe de lado os compromissos marcados,
Perdoa o que puder ser perdoado,
Esquece o que não tiver perdão!
E vamos voltar aquele lugar,
Vamos voltar…”

[Engenheiros do Hawaii]

aOS MEUS PÉS

terça-feira, novembro 2, 2010

pEDAÇO-S

segunda-feira, novembro 1, 2010

“…Não sei por quê acontece assim, e é sem querer,
o que não era pra ser…”

[Legião Urbana]

cAPITU

segunda-feira, novembro 1, 2010

“Não, não, a minha memória não é boa. Ao contrário, é comparável a alguém que tivesse vivido por hospedarias, sem guardar delas nem caras nem nomes, e somente raras circunstancias. A quem passe a vida na mesma casa de família, com os seus eternos móveis e costumes, pessoas e afeições, é que se lhe grava tudo pela continuidade e repetição. Como eu invejo os que não esqueceram a cor das primeiras calças que vestiram! Eu não atino com a das que enfiei ontem Juro só que não eram amarelas porque execro essa cor; mas isso mesmo pode ser olvido e confusão.
E antes seja olvido que confusão; explico-me. Nada se emenda bem nos livros confusos, mas tudo se pode meter nos livros omissos. Eu, quando leio algum desta outra casta, não me aflijo nunca. O que faço, em chegando ao fim, é cerrar os olhos e evocar todas as cousas que não achei nele. Quantas idéias finas me acodem então! Que de reflexões profundas! Os rios, as montanhas, as igrejas que não vi nas folhas lidas, todos me aparecem agora com as suas águas, as suas árvores, os seus altares, e os generais sacam das espadas que tinham ficado na bainha, e os clarins soltam as notas que dormiam no metal, e tudo marcha com uma alma imprevista que tudo se acha fora de um livro falho, leitor amigo. Assim preencho as lacunas alheias; assim podes também preencher as minhas.”

 

[Do livro Dom Casmurro, de Machado de Assis.]

pEDAÇOS

segunda-feira, novembro 1, 2010

“Se quiseres voltar, volta não!”

 

[Legião Urbana]

gRANDE HISTÓRIA

domingo, outubro 24, 2010

Era uma vez…

Sim, era uma vez.

sE VOCÊ JÁ TEVE UM DRAGÃO…

quinta-feira, outubro 7, 2010

Tenho um dragão que mora comigo.

Não, isso não é verdade.

Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço – seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu. Ou invulgar, como imagino que os outros devam ser. Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu me encontrei, sozinho neste apartamento, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele esteve comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs áridas da ausência dele, felizmente cada vez menos freqüentes (a aridez, não a ausência), pensei assim: Os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo.

Isso me pareceu gradiloqüente e sábio como uma idéia que não fosse minha, tão estúpidos costumam ser meus pensamentos. E tomei nota rapidamente no guardanapo do bar onde estava. Escrevi também mais alguma coisa que ficou manchada pelo café. Até hoje não consigo decifrá-la. Ou tenho medo da minha – felizmente indecifrável – lucidez daquele dia.

Estou me confundindo, estou me dispersando.

O guardanapo, a frase, a mancha, o medo – isso deve vir mais tarde. Todas essas coisas de que falo agora – as particularidades dos dragões, a banalidade das pessoas como eu -, só descobri depois. Aos poucos, na ausência dele, enquanto tentava compreendê-lo. Cada vez menos para que minha compreensão fosse sedutora, e cada vez mais para que essa compreensão ajudasse a mim mesmo a. Não sei dizer. Quando penso desse jeito, enumero proposições como: a ser uma pessoa menos banal, a ser mais forte, mais seguro, mais sereno, mais feliz, a navegar com um mínimo de dor. Essas coisas todas que decidimos fazer ou nos tornar quando algo que supúnhamos grande acaba, e não há nada a ser feito a não ser continuar vivendo.

Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.
Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se não fosse nada.

Ninguém perguntará coisa alguma, penso. Depois continuo a contar para mim mesmo, como se fosse ao mesmo tempo o velho que conta e a criança que escuta, sentado no colo de mim. Foi essa a imagem que me veio hoje pela manhã quando, ao abrir a janela, decidi que não suportaria passar mais um dia sem contar esta história de dragões. Consegui evitá-la até o meio da tarde. Dói, um pouco. Não mais uma ferida recente, apenas um pequeno espinho de rosa, coisa assim, que você tenta arrancar da palma da mão com a ponta de uma agulha. Mas, se você não consegue extirpá-lo, o pequeno espinho pode deixar de ser uma pequena dor para se transformar numa grande chaga.

Assim, agora, estou aqui. Ponta fina de agulha equilibrada entre os dedos da mão direita, pairando sobre a palma aberta da mão esquerda. Algumas anotações em volta, tomadas há muito tempo, o guardanapo de papel do bar, com aquelas palavras sábias que não parecem minhas e aquelas outras, manchadas, que não consigo ou não quero ou finjo não poder decifrar.

Ainda não comecei.

Queria tanto saber dizer Era uma vez. Ainda não consigo.

Mas preciso começar de alguma forma. E esta, enfim, sem começar propriamente, assim confuso, disperso, monocórdio, me parece um jeito tão bom ou mau quanto qualquer outro de começar uma história. Principalmente se for uma história de dragões.

Gosto de dizer tenho um dragão que mora comigo, embora não seja verdade. Como eu dizia, um dragão jamais pertence a, nem mora com alguém. Seja uma pessoa banal igual a mim, seja unicórnio, salamandra, harpia, elfo, hamadríade, sereia ou ogro. Duvido que um dragão conviva melhor com esses seres mitológicos, mais semelhantes à natureza dele, do que com um ser humano. Não que sejam insociáveis. Pelo contrário, às vezes um dragão sabe ser gentil e submisso como uma gueixa. Apenas, eles não dividem seus hábitos.

Ninguém é capaz de compreender um dragão. Eles jamais revelam o que sentem. Quem poderia compreender, por exemplo, que logo ao despertar (e isso pode acontecer em qualquer horário, às três ou às onze da noite, já que o dia e a noite deles acontecem para dentro, mas é mais previsível entre sete e nove da manhã, pois essa é a hora dos dragões) sempre batem a cauda três vezes, como se tivessem furiosos, soltando fogo pelas ventas e carbonizando qualquer coisa próxima num raio de mais de cinco metros? Hoje, pondero: talvez seja essa a sua maneira desajeitada de dizer, como costumo dizer agora, ao despertar – que seja doce.

Mas no tempo em que vivia comigo, eu tentava – digamos – adaptá-lo às circunstâncias. Dizia por favor, tente compreender, querido, os vizinho banais do andar de baixo já reclamaram da sua cauda batendo no chão ontem às quatro da madrugada. O bebê acordou, disseram, não deixou ninguém mais dormir. Além disso, quando você desperta na sala, as plantas ficam todas queimadas pelo seu fogo. E, quanto você desperta no quarto, aquela pilha de livros vira cinzas na minha cabeceira.

Ele não prometia corrigir-se. E eu sei muito bem como tudo isso parece ridículo. Um dragão nunca acha que está errado. Na verdade, jamais está. Tudo que faz, e que pode parecer perigoso, excêntrico ou no mínimo mal-educado para um humano igual a mim, é apenas parte dessa estranha natureza dos dragões. Na manhã, na tarde ou na noite seguintes, quanto ele despertasse outra vez, novamente os vizinhos reclamariam e as prímulas amarelas e as begônias roxas e verdes, e Kafka, Salinger, Pessoa, Clarice e Borges a cada dia ficariam mais esturricados. Até que, naquele apartamento, restássemos eu e ele entre as cinzas. Cinzas são como sedas para um dragão, nunca para um humano, porque a nós lembra destruição e morte, não prazer. Eles trafegam impunes, deliciados, no limiar entre essa zona oculta e a mais mundana. O que não podemos compreender, ou pelo menos aceitar.

Além de tudo: eu não o via. Os dragões são invisíveis, você sabe. Sabe? Eu não sabia. Isso é tão lento, tão delicado de contar – você ainda tem paciência? Certo, muito lógico você querer saber como, afinal, eu tinha tanta certeza da existência dele, se afirmo que não o via. Caso você dissesse isso, ele riria. Se, como os homens e as hienas, os dragões tivessem o dom ambíguo do riso. Você o acharia talvez irônico, mas ele estaria impassível quanto perguntasse assim: mas então você só acredita naquilo que vê? Se você dissesse sim, ele falaria em unicórnios, salamandras, harpias, hamadríades, sereias e ogros. Talvez em fadas também, orixás quem sabe? Ou átomos, buracos negros, anãs brancas, quasars e protozoários. E diria, com aquele ar levemente pedante: “Quem só acredita no visível tem um mundo muito pequeno. Os dragões não cabem nesses pequenos mundos de paredes invioláveis para o que não é visível”.

Ele gostava tanto dessas palavras que começam com in – invisível, inviolável, incompreensível -, que querem dizer o contrário do que deveriam. Ele próprio era inteiro o oposto do que deveria ser. A tal ponto que, quando o percebia intratável, para usar uma palavra que ele gostaria, suspeitava-o ao contrário: molhado de carinho. Pensava às vezes em tratá-lo dessa forma, pelo avesso, para que fôssemos mais felizes juntos. Nunca me atrevi. E, agora que se foi, é tarde demais para tentar requintadas harmonias.

Ele cheirava a hortelã e alecrim. Eu acreditava na sua existência por esse cheiro verde de ervas esmagadas dentro das duas palmas das mãos. Havia outros sinais, outros augúrios. Mas quero me deter um pouco nestes, nos cheiros, antes de continuar. Não acredite se alguém, mesmo alguém que não tenha um mundo pequeno, disser que os dragões cheiram a cavalos depois de uma corrida, ou a cachorros das ruas depois da chuva. A quartos fechados, mofo, frutas podres, peixe morto e maresia – nunca foi esse o cheiro dos dragões.

A hortelã e alecrim, eles cheiram. Quando chegava, o apartamento inteiro ficava impregnado desse perfume. Até os vizinhos, aqueles do andar de baixo, perguntavam se eu andava usando incenso ou defumação. Bem, a mulher perguntava. Ela tinha uns olhos azuis inocentes. O marido não dizia nada, sequer me cumprimentava. Acho que pensava que era uma dessas ervas de índio que as pessoas costumam fumar quando moram em apartamentos, ouvindo música muito alto. A mulher dizia que o bebê dormia melhor quando esse cheiro começava a descer pelas escadas, mais forte de tardezinha, e que o bebê sorria, parecendo sonhar. Sem dizer nada, eu sabia que o bebê sonhava com dragões, unicórnios ou salamandras, esse era um jeito do seu mundo ir-se tornando aos poucos mais largo. Mas os bebês costumam esquecer dessas coisas quanto deixam de ser bebês, embora possuam a estranha facilidade de ver dragões – coisa que só os mundos muito largos conseguem.

Eu aprendi o jeito de perceber quando o dragão estava a meu lado. Certa vez, descemos juntos pelo elevador com aquela mulher de olhos-azuis-inocentes e seu bebê, que também tinha olhos-azuis-inocentes. O bebê olhou o tempo todo para onde estava o dragão. Os dragões param sempre do lado esquerdo das pessoas, para conversar direto com o coração. O ar a meu lado ficou leve, de uma coloração vagamente púrpura. Sinal que ele estava feliz. Ele, o dragão, e também o bebê, e eu, e a mulher, e a japonesa que subiu no sexto andar, e um rapaz de barba no terceiro. Sorríamos suaves, meio tolos, descendo juntos pelo elevador numa tarde que lembro de abril – esse é o mês dos dragões – dentro daquele clima de eternidade fluida que apenas os dragões, mas só às vezes, sabem transmitir.

Por situações como essa, eu o amava. E o amo ainda, quem sabe mesmo agora, quem sabe mesmo sem saber direito o significado exato dessa palavra seca – amor. Se não o tempo todo, pelo menos quanto lembro de momentos assim. Infelizmente, raros. A aspereza e avesso parecem ser mais constantes na natureza dos dragões do que a leveza e o direito. Mas queria falar de antes do cheiro. Havia outros sinais, já disse. Vagos, todos eles.

Nos dias que antecediam a sua chegada, eu acordava no meio da noite, o coração disparado. As palmas das mãos suavam frio. Sem saber porque, nas manhãs seguintes, compulsivamente eu começava a comprar flores, limpar a casa, ir ao supermercado e à feira para encher o apartamento de rosas e palmas e morangos daqueles bem gordos e cachos de uvas reluzentes e berinjelas luzidias (os dragões, descobri depois, adoram contemplar berinjelas) que eu mesmo não conseguia comer. Arrumava em pratos, pelos cantos, com flores e velas e fitas, para que os espaços ficassem mais bonito.

Como uma fome, me dava. Mas uma fome de ver, não de comer. Sentava na sala toda arrumada, tapete escovado, cortinas lavadas, cestas de frutas, vasos de flores – acendia um cigarro e ficava mastigando com os olhos a beleza das coisas limpas, ordenadas, sem conseguir comer nada com a boca, faminto de ver. À medida que a casa ficava mais bonita, eu me tornava cada vez mais feio, mais magro, olheiras fundas, faces encovadas. Porque não conseguia dormir nem comer, à espera dele. Agora, agora vou ser feliz, pensava o tempo todo numa certeza histérica. Até que aquele cheiro de alecrim, de hortelã, começasse a ficar mais forte, para então, um dia, escorregar que nem brisa por baixo da porta e se instalar devagarzinho no corredor de entrada, no sofá da sala, no banheiro, na minha cama. Ele tinha chegado.

Esses ritmos, só descobri aos poucos. Mesmo o cheiro de hortelã e alecrim, descobri que era exatamente esse quando encontrei certas ervas numa barraca de feira. Meu coração disparou, imaginei que ele estivesse por perto. Fui seguindo o cheiro, até me curvar sobre o tabuleiro para perceber: eram dois maços verdes, a hortelã de folhinhas miúdas, o alecrim de hastes compridas com folhas que pareciam espinhos, mas não feriam. Pergunte o nome, o homem disse, eu não esqueci. Por pura vertigem, nos dias seguintes repetia quanto sentia saudade: alecrim hortelã alecrim hortelã alecrim hortelã alecrim.

Antes, antes ainda, o pressentimento de sua visita trazia unicamente ansiedade, taquicardias, aflição, unhas roídas. Não era bom. Eu não conseguia trabalhar, ira ao cinema, ler ou afundar em qualquer outra dessas ocupações banais que as pessoas como eu têm quando vivem. Só conseguia pensar em coisas bonitas para a casa, e em ficar bonito eu mesmo para encontrá-lo. A ansiedade era tanta que eu enfeiava, à medida que os dias passavam. E, quando ele enfim chegava, eu nunca tinha estado tão feio. Os dragões não perdoam a feiúra. Menos ainda a daqueles que honram com sua rara visita.

Depois que ele vinha, o bonito da casa contrastando com o feio do meu corpo, tudo aos poucos começava a desabar. Feito dor, não alegria. Agora agora agora vou ser feliz, eu repetia: agora agora agora. E forçava os olhos pelos cantos de prata esverdeadas, luz fugidia, a ponta em seta de sua cauda pela fresta de alguma porta ou fumaça de suas narinas, sempre mau, e a fumaça, negra. Naqueles dias, enlouquecia cada vez mais, querendo agora já urgente ser feliz. Percebendo minha ânsia, ele tornava-se cada vez mais remoto. Ausentava-se, retirava-se, fingia partir. Rarefazia seu cheiro de ervas até que não passasse de uma suspeita verde no ar. Eu respirava mais fundo, perdia o fôlego no esforço de percebê-lo, dias após dia, enquanto flores e frutas apodreciam nos vasos, nos cestos, nos cantos. Aquelas mosquinhas negras miúdas esvoaçavam em volta delas, agourentas.

Tudo apodrecia mais e mais, sem que eu percebesse, doído do impossível que era tê-lo. Atento somente à minha dor, que apodrecia também, cheirava mal. Então algum dos vizinhos batia à porta para saber se eu tinha morrido e sim, eu queria dizer, estou apodrecendo lentamente, cheirando mal como as pessoas banais ou não cheiram quando morrem, à espera de uma felicidade que não chega nunca. Ele não compreenderia. Eu não compreendia, naqueles dias – você compreende?

Os dragões, já disse, não suportam a feiúra. Ele partia quando aquele cheiro de frutas e flores e, pior que tudo, de emoções apodrecidas tornava-se insuportável. Igual e confundido ao cheiro da minha felicidade que, desta e mais uma vez, ele não trouxera. Dormindo ou acordado, eu recebia sua partida como um súbito soco no peito. Então olhava para cima, para os lados, à procura de Deus ou qualquer coisa assim – hamadríades, arcanjos, nuvens radioativas, demônios que fossem. Nunca os via. Nunca via nada além das paredes de repente tão vazias sem ele.

Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte. Dunas, geleiras, estepes. Nunca mais reflexos esverdeados pelos cantos, nem perfume de ervas pelo ar, nunca mais fumaças coloridas ou formas como serpentes espreitando pelas frestas de portas entreabertas. Mais triste: nunca mais nenhuma vontade de ser feliz dentro da gente, mesmo que essa felicidade nos deixe com o coração disparado, mãos úmidas, olhos brilhantes e aquela fome incapaz de engolir qualquer coisa. A não ser o belo, que é de ver, não de mastigar, e por isso mesmo também uma forma de desconforto. No turvo seco de uma casa esvaziada da presença de um dragão, mesmo voltando a comer e a dormir normalmente, como fazem as pessoas banais, você não sabe mais se não seria preferível aquele pântano de antes, cheio de possibilidades – que não aconteciam, mas que importa? – a esta secura de agora. Quando tudo, sem ele, é nada.

Hoje, acho que sei. Um dragão vem e parte para que seu mundo cresça? Pergunto – porque não estou certo – coisas talvez um tanto primárias, como: um dragão vem e parte para que você aprenda a dor de não tê-lo, depois de ter alimentado a ilusão de possuí-lo? E para, quem sabe, que os humanos aprendam a forma de retê-lo, se ele um dia voltar?

Não, não é assim. Isso não é verdade.

Os dragões não permanecem. Os dragões são apenas a anunciação de si próprios. Eles se ensaiam eternamente, jamais estréiam. As cortinas não chegam a se abrir para que entrem em cena. Eles se esboçam e se esfumam no ar, não se definem. O aplauso seria insuportável para eles: a confirmação de que sua inadequação é compreendida e aceita e admirada, e portanto – pelo avesso igual ao direito – incompreendida, rejeitada, desprezada. Os dragões não querem ser aceitos. Eles fogem do paraíso, esse paraíso que nós, as pessoas banais, inventamos – como eu inventava uma beleza de artifícios para esperá-lo e prendê-lo para sempre junto a mim. Os dragões não conhecem o paraíso, onde tudo acontece perfeito e nada dói nem cintila ou ofega, numa eterna monotonia de pacífica falsidade. Seu paraíso é o conflito, nunca a harmonia.

Quando volto apensar nele, nestas noites em que dei para me debruçar à janela procurando luzes móveis pelo céu, gosto de imaginá-lo voando com suas grandes asas douradas, solto no espaço, em direção a todos os lugares que é lugar nenhum. Essa é sua natureza mais sutil, avessa às prisões paradisíacas que idiotamente eu preparava com armadilhas de flores e frutas e fitas, quando ele vinha. Paraísos artificiais que apodreciam aos poucos, paraíso de eu mesmo – tão banal e sedento – a tolerar todas as suas extravagâncias, o que devia lhe soar ridículo, patético e mesquinho. Agora apenas deslizo, sem excessivas aflições de ser feliz.

As manhãs são boas para acordar dentro delas, beber café, espiar o tempo. Os objetos são bons de olhar para eles, sem muitos sustos, porque são o que são e também nos olham, com olhos que nada pensam. Desde que o mandei embora, para que eu pudesse enfim aprender a grande desilusão do paraíso, é assim que sinto: quase sem sentir.

Resta esta história que conto, você ainda está me ouvindo? Anotações soltas sobre a mesa, cinzeiros cheios, copos vazios e este guardanapo de papel onde anotei frases aparentemente sábias sobre o amor e Deus, com uma frase que tenho medo de decifrar e talvez, afinal, diga apenas qualquer coisa simples feito: nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Então quase vomito e choro e sangro quando penso assim. Mas respiro fundo, esfrego as palmas das mãos, gero energia em mim. Para manter-me vivo, saio à procura de ilusões como o cheiro das ervas ou reflexos esverdeados de escamas pelo apartamento e, ao encontrá-los, mesmo apenas na mente, tornar-me então outra vez capaz de afirmar, como num vício inofensivo: tenho um dragão que mora comigo. E, desse jeito, começar uma nova história que, desta vez sim, seria totalmente verdadeira, mesmo sendo completamente mentira. Fico cansado do amor que sinto, e num enorme esforço que aos poucos se transforma numa espécie de modesta alegria, tarde da noite, sozinho neste apartamento no meio de uma cidade escassa de dragões, repito e repito este meu confuso aprendizado para a criança-eu-mesmo sentada aflita e com frio nos joelhos do sereno velho-eu-mesmo:

– Dorme, só existe o sonho. Dorme, meu filho. Que seja doce.

Não, isso também não é verdade.

 

[Os dragões não conhecem o paraíso – Caio Fernando Abreu]

mOTIVA…

quarta-feira, outubro 6, 2010

ACÃO!

Se somos impulsionados a fazer algo de que gostamos, se somos reconhecidos por nossos talentos, se somos parabenizados por nossos acertos, se somos gratificados por nossos atos, tudo isso nos torna pessoas mais motivadas e, conseqüentemente, satisfeitas com aquilo que fazemos. E, se satisfazemo-nos com os trabalhos que realizamos, produziremos mais e melhor, além de fortalecer de maneira positiva a imagem daquilo a qual dedicamos nosso tempo, competência e habilidades.

eXISTEM COISAS E FATOS IMUTÁVEIS

sábado, outubro 2, 2010

“E eu chorei um oceano inteiro essa noite. Eu precisava esvaziar.”

[C.F.A.]

“cUIDA DO QUE É SEU EM MIM…”

sábado, setembro 25, 2010

“e AINDA ESPERO RESPOSTA…”

domingo, agosto 15, 2010

A cidade está calmamente silenciosa. E eu, estranhamente agitada.
Tenho a impressão de que tenho toda a energia do mundo em mim, e eu preciso colocá-la pra fora de alguma forma, seja trabalhando, escrevendo, pensando, desejando. Você…
Meus dias têm sido poéticos, e têm se resumido em uma eterna espera.
Espera pelo estágio que não se concretiza, espera pelo início dos trabalhos no meu TCC, espera por alguns planos que não se realizarão, além de outros que já começaram a se materializar, sem esquecer-me de citar a espera desesperada de esperar calmamente e nunca cansar de te esperar.
“Mudaram as estações, nada mudou…”
Se mudou ou não, o que foi ou o que ficou, o que é e o que já não é mais, é o que eu tenho tentado descobrir.

Boa noite.

– dESEJO. – DE MUDAR? – TALVEZ…

domingo, agosto 15, 2010

Você atravessando aquela rua vestida de negro,
E eu lhe esperando em frente a um certo bar, Leblon.
Você se aproximando e eu morrendo de medo,
Ali, bem mesmo em frente a um certo bar, Leblon.

Quando eu atravessava aquela rua, morria de medo,
De ver o teu sorriso e começar um velho sonho bom,
E o sonho fatalmente viraria pesadelo,
Ali, bem mesmo em frente a um certo bar, Leblon.

– Vamos entrar…
– Não tenho tempo!
– O que é que houve?
– O que é que há?
– O que é que houve, meu amor, você cortou os seus cabelos?
– Foi a tesoura do desejo, desejo mesmo de mudar!

[Alceu Valença – Tesoura do desejo]

pENSE BEM

domingo, maio 30, 2010

Chorar não resolve, falar pouco é uma virtude, aprender a se colocar em primeiro lugar não é egoísmo. Para qualquer escolha se segue alguma conseqüência, vontades efêmeras não valem à pena, quem faz uma vez, não faz duas necessariamente, mas quem faz dez, com certeza faz onze. Perdoar é nobre, esquecer é quase impossível. Quem te merece não te faz chorar, quem gosta cuida, o que está no passado tem motivos para não fazer parte do seu presente, não é preciso perder pra aprender a dar valor, e os amigos ainda se contam nos dedos. Aos poucos você percebe o que vale a pena, o que se deve guardar pro resto da vida, e o que nunca deveria ter entrado nela. Não tem como esconder a verdade, nem tem como enterrar o passado, o tempo sempre vai ser o melhor remédio, mas seus resultados nem sempre são imediatos.

– Charles Chaplin

eNTÃO, ESTÁ NA HORA!

domingo, maio 30, 2010

Aprender é mudar posturas.

– Platão

sOFIA

domingo, maio 30, 2010

“E só quem faz o que é certo – assim dizia Sócrates – pode se transformar num homem de verdade.”

[Do livro “O mundo de Sofia”, Jostein Gaarder, pág. 84]