“mEU AMOR, CUIDADO NA ESTRADA…”

quinta-feira, agosto 15, 2013

Eu rasguei todas as fotos, cuidadosamente, com carinho, com dor, uma a uma. Vi o momento estampado no papel, me transportei no tempo, vivi tudo aquilo mais uma vez, e chorei.
Senti que era hora de me despedir, não por não sentir mais amor, mas por saber que já não fazia sentido aquelas fotos amarelando na minha porta. As portas se fecharam para nosso futuro, e o que restou? Pedaços de fotos no chão, lágrimas e saudade.
Saudade do que foi bonito, da pureza, das caminhadas, do vento no rosto, dos beijos inesperados, das mãos dadas e da fé infinita em nós.
Saudade dos planos que nunca se realizarão, das viagens que nunca faremos, dos saltos de paraquedas que nunca daremos, da casa que nunca será comprada, dos pratos e receitas que nunca serão preparados, dos passeios de bicicleta que nunca se concretizarão, das crianças que nunca correrão no jardim, do jardim.
Eu via seu rosto naquelas fotos, imaginava tudo de bonito que vivemos, sentia meu coração aquecer, porque ver o seu sorriso quando olhava para o teto e imaginava seus sonhos e planos era como ver estrelas cadentes explodindo no céu. Mas eu prometo, sempre que eu vir uma estrela cadente, vou fazer um pedido para que Deus esteja cuidando bem de você.
Rasgar as fotos foi um ato impiedoso, mas também de salvação das nossas lembranças. Eu o fiz com a suavidade de quem ama, mas a pressa de quem sabe que não tem mais tempo. Agora não as tenho mais impressas, mas estão todas salvas na minha memória, em diversos pedaços, que eu posso montar como um quebra cabeça, com cuidado, com jeito, com carinho, igual eu fazia quando arrumava o lençol no seu rosto para que não se incomodasse com a claridade do sol de manhã.

Haviam pedaços das nossas fotos no chão, e eu também estava lá, com eles, despedaçada.

Foi o momento em que eu mais te amei na vida. Foi o momento em que eu me libertei.

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