sEGUNDA PELE

quinta-feira, outubro 9, 2014

Eu estava quieta. Estive quieta esse tempo todo, você sabe. Pintei as paredes, mudei os móveis de lugar, fiz faxina em todos os órgãos do meu corpo. Lavei com água e sabão o meu pobre coração. Tentei me distrair com o tempo e a distância, fingindo para os meus próprios olhos que eu já não via o seu reflexo quando me via do outro lado do espelho. Tentei, em vão, te esquecer por entre os livros velhos naquela velha prateleira. Eu tentei, você sabe. E consegui. Mas as digitais… As digitais e a sensação da sua pele nelas é o que permanece, é o que arrepia, é o que atordoa e faz virem à tona lembranças, pensamentos, sussurros de saudades… Você em mim.

Um dia nublado, o frio lá fora, cobertor no chão, seu corpo no meu.
Silêncio na cidade, barulho longe de sirene, amanhã já termina o feriado (?), seu corpo no meu.
Seu coração no meu.
Só meu.

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