qUANTAS VEZES MAIS

sábado, março 26, 2016

Tenho perdido a noção do tempo, os fatos se misturam na minha mente e, em alguns momentos, fico em dúvida se estou tendo uma lembrança, se está acontecendo no presente ou estou sonhando com algo que sequer aconteceu. O barulho segue tão alto e grave que as vezes eu não consigo ouvir minha própria respiração. Outro dia, me vi debruçada numa janela, e era tão alto, mas tão alto, que eu mal podia enxergar o chão. Ao observar melhor percebi um gato numa das janelas abaixo de mim, e ele me olhava e sorria. Ele sorria pra mim, só pra mim, mostrando aquelas presas afiadas e olhos tão espertos e vivos como eu jamais havia visto antes. Seus olhos me convidavam num estranho paralelo entre o doce e o feroz, e eu não resisti. Eu saltei e só ao perceber que estava caindo, senti o medo me invadir por completo. O chão, que antes eu não conseguia ver, agora se aproximava e me esperava de braços abertos, então eu fechei os olhos e desejei que aquilo nunca tivesse fim. Eu, o vento, meu coração e aquele último olhar…

3:49h, acordei.

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