vIVE

terça-feira, setembro 6, 2016

Já dava perto das três da tarde, o dia estava quente como nunca, e como sempre eu segui em sua direção. Subi lentamente as escadas, bati com cuidado a porta, tudo pra não te incomodar, não atrapalhar seu sono. Você dormia como um anjo, você sorria enquanto dormia, enquanto viajava pra longe dali. Toquei suavemente seu rosto, seu sorriso, falei baixinho: “-estou aqui”, mas você não ouviu. Você nunca ouviu.

Já passava das cinco da tarde e o calor  era de rachar. Permaneci deitada no chão da sala diante das minhas últimas memórias, tentando compreender em que momento eu deixei de existir. Em que vão da casa meus passos perderam o som? Em que hora do dia as coisas perderam completamente o sentido? Houve algum sentido em alguma parte da história? Algo foi real?

Eram três da manhã e eu acordei, como sempre, sem medo do escuro. Perdi a maioria dos meus medos nos últimos tempos. Só tenho medo do que eu achava que havia existido, mas que eu descubro a cada dia que não passou de ilusão.

O tempo passou…

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