fALTOU AR

sexta-feira, agosto 21, 2015

o céu

“Me despeço dessa história e
Concluo: a gente segue a direção
Que o nosso próprio coração mandar.
E foi pra lá…
E foi pra lá…”

[Tiê – Assinado Eu]

gRAFITE NO MURO DA MINHA SAUDADE

quarta-feira, março 25, 2015

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sEGUNDA PELE

quinta-feira, outubro 9, 2014

Eu estava quieta. Estive quieta esse tempo todo, você sabe. Pintei as paredes, mudei os móveis de lugar, fiz faxina em todos os órgãos do meu corpo. Lavei com água e sabão o meu pobre coração. Tentei me distrair com o tempo e a distância, fingindo para os meus próprios olhos que eu já não via o seu reflexo quando me via do outro lado do espelho. Tentei, em vão, te esquecer por entre os livros velhos naquela velha prateleira. Eu tentei, você sabe. E consegui. Mas as digitais… As digitais e a sensação da sua pele nelas é o que permanece, é o que arrepia, é o que atordoa e faz virem à tona lembranças, pensamentos, sussurros de saudades… Você em mim.

Um dia nublado, o frio lá fora, cobertor no chão, seu corpo no meu.
Silêncio na cidade, barulho longe de sirene, amanhã já termina o feriado (?), seu corpo no meu.
Seu coração no meu.
Só meu.

o AMOR ACABOU COM A MINHA VIDA

domingo, março 9, 2014

O amor acabou com a minha vida. Deu-me casa, lavou minha roupa, me fez comida. Deixou-me marcas, me fez construir sonhos, mas acabou com a minha vida. O amor me fez trocar de pele, mudar de cabelo e de estilo. O amor me renegou e aceitou outras tantas vezes, que perdi a conta. O amor acabou com meu medo do escuro, com meus pesadelos, com minha falta de ar. O amor me fez correr, me fez chorar, me fez crer em mim e nos outros.
O amor acabou com a minha vida quando me limitou e restringiu a apenas uma meta: fazer-me feliz. O amor acabou com tudo quando foi embora, quando voltou, quando bateu a porta uma última vez. O amor encheu tanto a minha paciência, que perdeu a graça. E me fez graça. Trouxe-me multidões para que eu pudesse aprender a gostar da minha solidão, e deixou-me sozinha para que não temesse o medo do abandono. Abandonou-me para em seguida me mostrar que, mesmo acabando com minha vida, estaria sempre lá, de diversas formas, tamanhos, vontades. O amor me tirou a vontade de desistir, e eu resisti. Insisti.
O amor apagou o que eu escrevi num caule de árvore, para se inscrever na minha pele, um corte digno de ser exibido. O amor foi contra quando eu estive a favor, e foi a favor quando eu declarei guerra. O amor, vagabundo, acabou com a minha vida enquanto me fazia novos planos. Acabou com a minha vida e me enganou, todo o tempo. Enquanto eu sangrava, maldizendo da vida e do mundo, o amor, silencioso, agia. E fazia chá para dor no corpo e no coração. Amor malvado, oras, se o que queria era acabar com a minha vida, por que me deixar penar tanto assim? Por que apertar tão forte o meu coração?
O amor mentiu, omitiu, acabou com tudo, rasgou as fotos e pintou as paredes. O amor me fez chorar por dias, e colocar para fora tudo o que havia de bonito e de bom. E me fez esquecer. O amor me deu enjoos, mas não me fez gerar nada. Deu-me medo, mas ainda mais coragem. E me fez gritar, reagir, correr.
O amor acabou com a minha vida, mas me ensinou a enganar a morte: apesar de me empurrar do precipício, me deu asas. O amor me fez surpresa, me fez raiva, me fez poema e curou o meu resfriado. O amor me deu dor nas costas. O amor me enganou, mas eu não caio mais. O amor me fez amor, me fez chuva, me fez mulher.
O amor acabou com a minha vida, e eu tive medo de não encontrá-lo nunca mais. Contudo, ironicamente, enquanto acabava com tudo, o amor me mostrou que eu poderia senti-lo novamente, outras muitas vezes, sempre que quisesse, na mesma intensidade ou até mais que na primeira vez.

cORAÇÃO

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

bruemalu

 

“Prefiro, assim, com você,
Juntinho, sem caber de imaginar,
Até o fim raiar.”

[Los Hermanos – Morena]

sUBJETIVIDADE

terça-feira, janeiro 7, 2014

Girei o trinco, entrei, fechei a porta. O céu estava limpo de estrelas.
Passos leves. Acendi a luz.
Havia um barulho que soava insistentemente, suave como uma gota d’água a cair no chão.

Apaguei a luz e reparei nas formas que apareciam no teto. Engraçado, nunca tive a imaginação muito boa para ver bichinhos nas nuvens, mas sempre me peguei vendo alguma forma fazer sentido nas sombras no teto do meu quarto. Eram maçãs, uma casquinha de sorvete e um sorriso.

O barulho era agradável, passava alguma mensagem, “estou aqui”. Eu também.

Não chorei mais e dormi a noite toda.

As maçãs bem que podiam ser corações, a casquinha era só uma casquinha mesmo.

O sorriso, sem dúvida alguma, era o seu.