sEGUNDA PELE

quinta-feira, outubro 9, 2014

Eu estava quieta. Estive quieta esse tempo todo, você sabe. Pintei as paredes, mudei os móveis de lugar, fiz faxina em todos os órgãos do meu corpo. Lavei com água e sabão o meu pobre coração. Tentei me distrair com o tempo e a distância, fingindo para os meus próprios olhos que eu já não via o seu reflexo quando me via do outro lado do espelho. Tentei, em vão, te esquecer por entre os livros velhos naquela velha prateleira. Eu tentei, você sabe. E consegui. Mas as digitais… As digitais e a sensação da sua pele nelas é o que permanece, é o que arrepia, é o que atordoa e faz virem à tona lembranças, pensamentos, sussurros de saudades… Você em mim.

Um dia nublado, o frio lá fora, cobertor no chão, seu corpo no meu.
Silêncio na cidade, barulho longe de sirene, amanhã já termina o feriado (?), seu corpo no meu.
Seu coração no meu.
Só meu.

dES-RIMANDO

quarta-feira, abril 9, 2014

Desliga a luz e aperta a minha mão,
Ouve o rádio, tá tocando aquela canção,
Onde o rapaz, tão cansado, reaprendeu a amar.

Anda, acredita na nossa sorte,
Fecha os olhos, sente o vento que vem do norte,
Bebe o seu café, mas não esquece de sonhar.

Quem falou que era a hora certa, meu bem?
Que diferença faz se a gente vai de bicicleta ou de trem?
Se no fim das contas, a intenção da gente é se encontrar.

É se amar…

Tenho subido tão alto, com o coração na mão,
Medo da altura, de queda e da solidão,
E um coração para guiar…

Mas se eu já não sei mais fazer rima,
Se quando a gente canta, só desafina,
Quem poderá nos julgar?

[Eu aprendi errando, e errei tantas vezes,
Que me assustei com seus acertos,
Seus medos,
E suas juras de amor.]

E percebi que, se a gente sente frio na barriga,
Se o coração já não segue ritmo certo,
Se as mãos suam e as pernas tremem,

É só fechar os olhos,
deixar a rima pra lá,
e se entregar.

o AMOR ACABOU COM A MINHA VIDA

domingo, março 9, 2014

O amor acabou com a minha vida. Deu-me casa, lavou minha roupa, me fez comida. Deixou-me marcas, me fez construir sonhos, mas acabou com a minha vida. O amor me fez trocar de pele, mudar de cabelo e de estilo. O amor me renegou e aceitou outras tantas vezes, que perdi a conta. O amor acabou com meu medo do escuro, com meus pesadelos, com minha falta de ar. O amor me fez correr, me fez chorar, me fez crer em mim e nos outros.
O amor acabou com a minha vida quando me limitou e restringiu a apenas uma meta: fazer-me feliz. O amor acabou com tudo quando foi embora, quando voltou, quando bateu a porta uma última vez. O amor encheu tanto a minha paciência, que perdeu a graça. E me fez graça. Trouxe-me multidões para que eu pudesse aprender a gostar da minha solidão, e deixou-me sozinha para que não temesse o medo do abandono. Abandonou-me para em seguida me mostrar que, mesmo acabando com minha vida, estaria sempre lá, de diversas formas, tamanhos, vontades. O amor me tirou a vontade de desistir, e eu resisti. Insisti.
O amor apagou o que eu escrevi num caule de árvore, para se inscrever na minha pele, um corte digno de ser exibido. O amor foi contra quando eu estive a favor, e foi a favor quando eu declarei guerra. O amor, vagabundo, acabou com a minha vida enquanto me fazia novos planos. Acabou com a minha vida e me enganou, todo o tempo. Enquanto eu sangrava, maldizendo da vida e do mundo, o amor, silencioso, agia. E fazia chá para dor no corpo e no coração. Amor malvado, oras, se o que queria era acabar com a minha vida, por que me deixar penar tanto assim? Por que apertar tão forte o meu coração?
O amor mentiu, omitiu, acabou com tudo, rasgou as fotos e pintou as paredes. O amor me fez chorar por dias, e colocar para fora tudo o que havia de bonito e de bom. E me fez esquecer. O amor me deu enjoos, mas não me fez gerar nada. Deu-me medo, mas ainda mais coragem. E me fez gritar, reagir, correr.
O amor acabou com a minha vida, mas me ensinou a enganar a morte: apesar de me empurrar do precipício, me deu asas. O amor me fez surpresa, me fez raiva, me fez poema e curou o meu resfriado. O amor me deu dor nas costas. O amor me enganou, mas eu não caio mais. O amor me fez amor, me fez chuva, me fez mulher.
O amor acabou com a minha vida, e eu tive medo de não encontrá-lo nunca mais. Contudo, ironicamente, enquanto acabava com tudo, o amor me mostrou que eu poderia senti-lo novamente, outras muitas vezes, sempre que quisesse, na mesma intensidade ou até mais que na primeira vez.

aPENAS RESPIRE. RESPIRO.

quinta-feira, fevereiro 6, 2014

Na frente do cortejo,
O meu beijo,
Forte como o aço,
Meu abraço.

São poços de petróleo,
A luz negra dos teus olhos,

Lágrimas negras caem, saem, doem.
Lágrimas negras caem, saem, doem.

Por entre flores e estrelas,
Você usa uma delas como brinco
Pendurado na orelha,
Astronauta da saudade,
Com a boca toda vermelha.

Lágrimas negras caem, saem, doem.
São como pedras de moinho que moem,
Roem, moem.

E você, baby,
Vai, vem,vai.
E você, baby,
Vem, vai, vem.

Belezas são coisas acesas por dentro,
Tristezas são belezas apagadas,
Pelo sofrimento.
Belezas são coisas acesas por dentro,
Tristezas são belezas apagadas,
Pelo sofrimento.

Lágrimas negras caem, saem, doem.
Lágrimas negras caem, saem, doem.

eU NÃO SEI MAIS ESCREVER SOBRE O AMOR

segunda-feira, dezembro 9, 2013

Show de Marisa Monte, 3 de dezembro de 2013, em João Pessoa

Marisa Monte, 3 de dezembro de 2013, em João Pessoa

Eu posso te fazer feliz,
Feliz, me sentir também.
Eu posso te fazer tão bem,
Eu sei, isso eu faço bem.
Roubar-te um beijo no salão,
Girar sem perder o chão,
Não vou deixar você cair,
Cintura, leve a minha mão.

Verdade, uma ilusão,
Vinda do coração.
Verdade, seu nome é mentira.

Eu posso te fazer ouvir
Milhões de sinos ao redor,
Eu posso te fazer canções,
O amor soa em minha voz.
Eu posso te fazer sorrir,
Meus olhos brilham para ti.
E os pés já sabem onde ir,
Ninguém precisa decidir.

Verdade, uma ilusão,
Vinda do coração.
Verdade, seu nome é mentira.

[Verdade, uma ilusão – Marisa Monte]

oUTRA VEZ

segunda-feira, setembro 9, 2013

Não sou a desgraça nem a salvação de ninguém.

tUDO VOLTA

sábado, agosto 24, 2013

segunda-feira, julho 29, 2013

“Foi só a voz guia,
Foi nem a metade,
Foi estrela guia,
Foi tanta verdade.
Um mero rascunho,
Mas foi divindade,
Grafite no muro
Da minha saudade.”

[Lenine]

vIVER É BOM…

domingo, julho 28, 2013

SAM_1267

…Partida e chegada,

Solidão?

Que nada!

[Cazuza]

rESPOSTA

quinta-feira, julho 25, 2013

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Você está vendo o que está acontecendo?
Nesse caderno sei que ainda estão os versos seus,
Tão meus, que peço (…) que os aceite em paz.”

[Skank]

vOCÊ SABE,

sexta-feira, julho 19, 2013

Eu me perdi. Perdi o sentido da estrada, perdi de vista a estrela que me guiava, perdi a lembrança do caminho de volta, perdi a lembrança. Perdi tudo. Perdi-me de mim. Você sabe.

eNTÃO ME EXPLICA

terça-feira, julho 16, 2013

“Hoje, mais uma vez, eu vi o sol sair. Fiquei sem dormir de tanto pensar. O volume, a cabeça a mil, e uma dúvida: Sera que a gente enlouqueceu, deixou o barco virar? Sera que a gente enlouqueceu, deixou poeira subir? Sera que a gente enlouqueceu, deixou um cheiro no ar? Sera que a gente enlouqueceu e se deixou levar? Sera que a gente enlouqueceu, ou quem enlouqueceu fui eu? Sera que tudo aconteceu dentro da minha cabeça?

Foto0514

[Será? – Bicho de pé]

uM DIA, DOIS, NUNCA MAIS

segunda-feira, abril 29, 2013

A gente vai esquecendo, sabe?
Pouco a pouco, dia a dia…
De repente se vai a cor favorita, o cheiro, a imagem do rosto amassadinho logo de manhã…
Quando menos se espera, você não lembra a comida menos pedida, o jeito de andar, o tom de voz…
No final do dia, você força para sentir aquele frio na barriga do reencontro, a vontade de ter vontade…
E um dia você acorda, vasculha na memória todas as lembranças, e só encontra vestígios vagos do que se foi para não voltar mais.

“Yes, I would dearly love to run away,
From your shadow,
For just one day.

I don’t ever want to steal your time,
‘Cause you seem fine
And I feel blue.
And I dont want to say the things i do,
‘Cause I know I feel it more than you.”

[One Day – Kt Tunstall]

cORPOS, SANGUE E SUOR

segunda-feira, abril 15, 2013

Quisemos nos enganar e enganar aos outros, mas o que fazer? Os convidados estão todos na sala, querido. “Olá, bom dia, parabéns!”. Não há como simplesmente dispensá-los, você sabe. Eles certamente irão querer saber o que houve, serão inúmeras perguntas a responder, seremos pouca resposta a dar.
Teremos que esconder o corpo, lavar as paredes, borrifar algum perfume barato e forte o suficiente para disfarçar o cheiro de sangue e agonia. E eu agonizo só de lembrar, foi uma morte demorada, sofrida, e havia sangue demais. Não gosto de sangue, mas amo vermelho.
Lembro de uma história que meu avô contou um dia, havia um homem mau que virava lobisomem, um velhinho de olhos doces. Quanta ironia! Dormi mau por dias, “dorme, menina, dorme e tenha bons sonhos…”, dane-se!
Tenho cachorros que só latem, não existem mais os que se transformam em lobisomens, mas há uma porção de homens maus por aí…
Você desferiu os golpes com tanta frieza, sempre foi bom com cortes e lâminas.
De qualquer forma, escrevi uma carta de despedida, as pessoas podem simplesmente ir embora, igual àquela tia da sua antiga vizinha.
O crime não compensa.
Você cultivou pesadelos no meu jardim dos sonhos.
Boa noite, mon amour.

aCOSTUMAR

quarta-feira, dezembro 12, 2012

É, parece que o Sol vai demorar alguns dias para voltar a nascer…

nuvens

“Mas tudo bem,
Tudo bem, tudo bem…
Lá vem, lá vem, lá vem
De novo…
Acho que estou gostando de alguém,
E é de ti que não me esquecerei.”

[Legião Urbana]

sIMPLESMENTE

quinta-feira, novembro 1, 2012

O segredo é não esperar. Nada.

 

 

É pensar no hoje, porque é só o que temos.

Sem planos, expectativas, sonhos…

O amanhã não existe.

 

 

Nunca. [Mais].

qUANDO É VOCÊ

segunda-feira, outubro 29, 2012

Quando eu pedir silêncio, sussurre baixinho algo bonito em meu ouvido. Quando eu te mandar ir embora, fique mais um pouco. Quando eu tiver dúvidas, me dê certezas. Quando eu te pedir para fazer alguma escolha, que eu seja ela. Quando eu disser que está tudo bem, certifique-se de que está mesmo. Quando eu tiver medo do escuro, mostre-me que eu não estou sozinha. Quando eu ficar triste, me dê o mais bonito dos seus sorrisos. Quando eu ficar agitada, ajude-me a manter a calma.  Quando eu estiver insegura, prove que ainda sou a única que você quer. Quando eu estiver com raiva, me beije. Quando eu disser sim, venha. Quando eu gritar não, venha mais rápido ainda. Quando eu não esperar, invada o meu mundo. Quando tivermos pouco tempo, faça cada segundo valer a pena. Quando eu sorrir, me beije. Quando eu chorar, me beije também. Quando eu ficar indiferente, faça a diferença. Quando eu esquecer, não me esqueça. Quando eu tentar ir embora, me segure firme. Quando eu quiser espaço, me dê o espaço que existe entre cada braço teu. Quando eu tiver um pesadelo, segure a minha mão. Quando eu trancar a porta, me convença a abri-la. Quando eu não acreditar mais, acredite por nós dois. Quando eu enlouquecer por você, enlouqueça comigo. Quando você estiver distante, deixe-me chegar mais perto. Quando eu bater a sua porta, esteja a minha espera. Quando fizer frio, seja o meu cobertor. Quando meu coração sangrar, faça cuidadosamente os seus curativos. Quando eu cansar, não canse de mim. Quando eu pensar em desistir, me convença a ficar. Quando as coisas parecerem bagunçadas ou fora de lugar, arrume-as comigo. Quando meu olhar estiver perdido em algum ponto, saiba que eu vejo você lá. Quando o mundo parecer contra nós, seja ao nosso favor, comigo. Quando eu quiser te roubar pra mim, não resista, entregue-se. Quando eu mudar, acredite, não vai ser por muito tempo. Quando eu disser que não quero mais, saiba que você é o único que eu quero. Quando eu quiser voar, me mostre o caminho até você. Quando eu não quiser ouvir, me convença. Quando o dia não for dos melhores, seja o melhor pra mim. Quando eu precisar te ouvir, fale um pouco mais. Quando eu estiver em pedaços, cole-me com carinho. Quando a porta estiver aberta, feche-a, mas fique do lado de dentro. Quando eu te machucar, aceite o meu pedido sincero de desculpas e me deixe cuidar de você. Quando eu não quiser mais, eu ainda quero. Quando eu pensar em outra vida, prove-me que não há vida melhor que a nossa. Quando você tiver que ir, vá, mas te deixe gravado em mim. Quando eu complicar as coisas, ajude-me a lembrar do quão a nossa simplicidade me faz feliz. Quando eu me perder, que eu me perca nos seus beijos. Quando eu te pedir para ficar só, entenda que eu só quero ficar com você. Quando eu tentar te achar, que eu te encontre dentro de mim. Quando eu disser nunca, lembre-se que você é o meu sempre. Quando eu pensar no futuro, ajude-me a construir nossos castelos. Quando eu sonhar, seja o meu maior sonho. Quando eu precisar de amor, mostre-me que eu não preciso porque o tenho, em você. Quando eu cair, me ampare. Quando eu estiver errada, não deixe de acreditar que eu estou sempre tentando ser a pessoa certa pra você. Quando o seu passado me assustar, lembre-me que eu sou o seu (melhor) presente. Quando eu não te procurar, é quando eu preciso mais de você. Quando você tiver opções, que eu seja a única opção que você realmente deseja. Quando eu estiver ansiosa, me dê paz. Quando eu estiver em paz, me ame. Quando eu estiver em guerra, me ame. Quando eu estiver triste, me ame. Quando eu estiver fria, me ame. Quando eu estiver luz, me ame. Quando eu não estiver, me ame. E quando eu sentir saudades, volte para casa, volte pra mim…

vERMELHO

quinta-feira, outubro 25, 2012

Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa? Quem se importa?

“e NEM ASSIM SE PÔDE EVITAR…”

quinta-feira, outubro 18, 2012

O vento canta lá fora e eu abro a janela para ouvi-lo melhor. Eu tenho tentado entender os recados e mensagens que a vida tem me dado, mas não é fácil fazê-lo quando existem tantas curvas pelo caminho.  Na verdade, eu tenho tentado achar o caminho, mas parece que nenhum deles dá para o rio. Então o que faço é me enganar, dia após dia, agindo como se eu fosse encontrá-lo no final. Mas eu sei que isso não vai acontecer. Sei que, por mais que eu siga a direção que as estrelas apontam, elas jamais me levarão até lá. No fim das contas, o meu desejo de desaguar junto dele é pura ilusão. Não levo jeito pra rio, não sou tão bonita, serena ou estável, eu sou a confusão. Sou o que muda a cada segundo, sou a vontade de estar junto e nunca mais estar depois, sou o céu e o inferno, sou o que resta depois do furacão. Furacão, entende? Não um rio. Não o frescor, o aconchego, os corpos colados e o cheiro de terra molhada. Eu ouço vozes e me sinto inundada por um sentimento que eu nem sei explicar. Eu sinto tanto. Eu sinto muito. As pessoas falam da beleza do mar, mas nada nesse mundo se compara à paz que um rio traz. A triste ironia é insistir na ilusão de nesse rio me encontrar, e então me perder pra sempre.

O vento canta lá fora e eu abro a janela para ouvi-lo melhor. É pra mim a música de ninar que ele canta, é o meu rosto que ele beija, são os meus cabelos que ele acaricia até eu dormir. O vento sempre me leva em direção a você.

eM BRANCO

quinta-feira, outubro 4, 2012

A página em branco insiste em permanecer assim e parece que, repentinamente, surge algo ainda mais teimoso que eu. Talvez, quem sabe, as primeiras palavras deste texto podem ser: eu sinto a sua falta. E isso é um fato, tem sido o meu estado, que de sólido passou pra líquido tão rapidamente, já que eu derreto toda vez que penso em você e percebo o quão o mundo é ‘sem’ quando eu não te tenho. Sem graça, sem vontade, sem amor…

Eu vou tolerar o silêncio, eu vou respeitar o espaço e cada canto dessa sala, como se eles fossem órgãos que, mesmo interligados, precisassem de sua [falsa] independência. E cada vez que o sol nascer, eu farei uma prece, e da mesma forma, quando ele se pôr, eu agradecerei pelo destino, pelo ar, pelos pulmões e pelos sinais. Sinais esses que me surgem sempre com mais dois pontos, quando eu insisto em usar um ponto final.

De todas as palavras mal ditas, de todos os erros cometidos, de todos os passos em falso, e no meio de toda essa confusão – que agora parece tão bem [mal] resolvida -, eu apenas queria que você soubesse que eu continuo aqui, com você. Mesmo que não esteja.

Aqui.

pOR BEM POUCO

quarta-feira, outubro 3, 2012

Eu também canso, eu também sinto dor, eu também preciso de colo e carinho.

Eu também.

Eu preciso.

Eu.

vONTADE, AH…

terça-feira, setembro 25, 2012

Não é necessário que seja perfeito, não mesmo. Perfeição demais poderia até estragar. A verdade é que não pode faltar vontade. Sim, vontade, ah… De abraçar, beijar, morder, sorrir, insistir, não resistir. De olhar mil vezes para a mesma foto e não ter dúvidas de que é aquilo que vai te satisfazer, de provar mil vezes a mesma comida e ter a certeza de que é aquilo que vai te completar. E em cada toque, sussurro, encanto, ouvir promessas ditas em silêncio, dizer silêncios eternizando promessas. Ah, vontade, vontade mesmo, não pode faltar. Vontade de olhar nos olhos, de fingir não sentir, de sentir sem fingir. Vontade de estar perto e, ainda assim, não ver a vontade ter fim. Vontade da madrugada, de corpos colados, de lua cheia de luz. Vontade de repensar, reavaliar, reconstruir. Vontade de ver o futuro, tão distante, aqui e agora. Vontade de riscar outros itens da lista, diminuir a quantidade de sal, comprar apenas metade do açúcar e cancelar a pimenta. Porque já não vai te faltar doçura ou calor, há um item substituto: Vontade, vontade… Vontade!