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quinta-feira, junho 2, 2016

Vou ficando quietinha, parada,

Balançando as pernas, as folhas, o tempo,

Vou seguindo e tentando não olhar pra trás…

Você ouve esse silêncio?

Consegue sentir o macio dessa pele?

É uma ausência bem leve, bem junto, como suor na pele.

Não há som que invada esse espaço,

Não há saudade que não se cure com um abraço,

E não há lembrança que não aumente o cansaço

Da espera.

[Quando se espera por nada.]

É tarde.

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qUANTAS VEZES MAIS

sábado, março 26, 2016

Tenho perdido a noção do tempo, os fatos se misturam na minha mente e, em alguns momentos, fico em dúvida se estou tendo uma lembrança, se está acontecendo no presente ou estou sonhando com algo que sequer aconteceu. O barulho segue tão alto e grave que as vezes eu não consigo ouvir minha própria respiração. Outro dia, me vi debruçada numa janela, e era tão alto, mas tão alto, que eu mal podia enxergar o chão. Ao observar melhor percebi um gato numa das janelas abaixo de mim, e ele me olhava e sorria. Ele sorria pra mim, só pra mim, mostrando aquelas presas afiadas e olhos tão espertos e vivos como eu jamais havia visto antes. Seus olhos me convidavam num estranho paralelo entre o doce e o feroz, e eu não resisti. Eu saltei e só ao perceber que estava caindo, senti o medo me invadir por completo. O chão, que antes eu não conseguia ver, agora se aproximava e me esperava de braços abertos, então eu fechei os olhos e desejei que aquilo nunca tivesse fim. Eu, o vento, meu coração e aquele último olhar…

3:49h, acordei.

“e O TEMPO NUNCA PASSOU…”

sábado, março 19, 2016

Eu fecho os olhos, tento lembrar do meu rosto, mas não consigo.
(É tudo em vão?)
Imagino alguns traços perdidos, misturados com os de outras pessoas, mas não são meus. Olho para as paredes do meu quarto, tento ler tudo o que eu escrevi durante todos esses anos, mas não entendo a minha própria letra. Não consigo ler através dela. Não consigo interpretar os meus planos.
(Será que eles eram mesmo os meus?)
Ao tentar respirar, não consigo não sufocar. Faz muito barulho, eu mal consigo me ouvir.
(Que barulho faz a minha paz junto do som das ondas do mar?)
Eu olho para baixo e não tenho mais medo da altura. Sinto medo de nunca conseguir pular. Voar. (Somente eu, o vento, e o pensamento lá em você.)
Quando vejo os caminhos, não consigo escolher qual devo seguir. Então eu sento na estrada e espero. Espero pelo silencio, em silêncio. Espero eu e a minha solidão.
(Eu fecho os olhos, mas não consigo dormir.
Eu abro os olhos, mas não desapareci.)
Dizem que o tempo conserta todas as coisas…
(Sinto falta de mim.)
Quanto tempo deve faltar para eu lembrar do meu rosto e consertar meu coração?

qUADRADOS AZUIS

quinta-feira, maio 8, 2014

Eu desejei o fim.
Sim, eu o quis e esperei calmamente,
como quem abre os olhos de repente,
e vê, de fato, o que gostaria.

E inacreditavelmente em paz eu fiquei,
de rosto e alma lavada,
nessa louca espera por nada,
que a nada me levaria.

E eu, por completo, apostei,
num fim doce, lento, sereno,
suave, bonito e pequeno,
do dia.