“e O TEMPO NUNCA PASSOU…”

sábado, março 19, 2016

Eu fecho os olhos, tento lembrar do meu rosto, mas não consigo.
(É tudo em vão?)
Imagino alguns traços perdidos, misturados com os de outras pessoas, mas não são meus. Olho para as paredes do meu quarto, tento ler tudo o que eu escrevi durante todos esses anos, mas não entendo a minha própria letra. Não consigo ler através dela. Não consigo interpretar os meus planos.
(Será que eles eram mesmo os meus?)
Ao tentar respirar, não consigo não sufocar. Faz muito barulho, eu mal consigo me ouvir.
(Que barulho faz a minha paz junto do som das ondas do mar?)
Eu olho para baixo e não tenho mais medo da altura. Sinto medo de nunca conseguir pular. Voar. (Somente eu, o vento, e o pensamento lá em você.)
Quando vejo os caminhos, não consigo escolher qual devo seguir. Então eu sento na estrada e espero. Espero pelo silencio, em silêncio. Espero eu e a minha solidão.
(Eu fecho os olhos, mas não consigo dormir.
Eu abro os olhos, mas não desapareci.)
Dizem que o tempo conserta todas as coisas…
(Sinto falta de mim.)
Quanto tempo deve faltar para eu lembrar do meu rosto e consertar meu coração?

sEGUNDA PELE

quinta-feira, outubro 9, 2014

Eu estava quieta. Estive quieta esse tempo todo, você sabe. Pintei as paredes, mudei os móveis de lugar, fiz faxina em todos os órgãos do meu corpo. Lavei com água e sabão o meu pobre coração. Tentei me distrair com o tempo e a distância, fingindo para os meus próprios olhos que eu já não via o seu reflexo quando me via do outro lado do espelho. Tentei, em vão, te esquecer por entre os livros velhos naquela velha prateleira. Eu tentei, você sabe. E consegui. Mas as digitais… As digitais e a sensação da sua pele nelas é o que permanece, é o que arrepia, é o que atordoa e faz virem à tona lembranças, pensamentos, sussurros de saudades… Você em mim.

Um dia nublado, o frio lá fora, cobertor no chão, seu corpo no meu.
Silêncio na cidade, barulho longe de sirene, amanhã já termina o feriado (?), seu corpo no meu.
Seu coração no meu.
Só meu.

pOEMA

quarta-feira, janeiro 8, 2014

Eu não acho que eu deva que ser o seu primeiro pensamento do dia. Não, não acho mesmo. Não espero que você tome seu café da manhã desejando que eu esteja junto. Não acredito que seja viável voce andar pelas ruas torcendo para que possamos, outra vez, andar de mãos dadas, nós dois, num só. É, não acredito. Não vejo a mínima necessidade de você olhar seu celular mil vezes ao dia, esperando uma mensagem minha, uma ligação, ou qualquer notícia que seja. Acho completamente absurdo você me escrever poemas ou tampouco me enviar trechos de músicas de amor. Discordo em número, gênero e grau que você leia tudo o que eu escrevo aqui, a fim  de adivinhar meus desejos e pensamentos. Não vejo o mínimo sentido em você sofrer de saudades de nós dois. Não, não vejo. Mas se você puder, e só se puder mesmo, viver um pouquinho de cada uma dessas coisas, saberá o que tem sido para mim viver sem você.

nÃO VAI CHOVER

sexta-feira, agosto 30, 2013

“Maybe, sometimes,
We’ve got it wrong, but it’s all right.
The more things seem to change,
the more they stay the same.
Oh, don’t you hesitate!

Girl, put your records on,
tell me your favorite song.
You go ahead, let your hair down.
Sapphire and faded jeans,
I hope you get your dreams.
Just go ahead, let your hair down.
You’re gonna find yourself some where,
some how.

Blue as the sky,
sunburnt and lonely.”

diasbruna

[Put your records on – Corinne Bailey Rae]

tUDO VOLTA

sábado, agosto 24, 2013

“mEU AMOR, CUIDADO NA ESTRADA…”

quinta-feira, agosto 15, 2013

Eu rasguei todas as fotos, cuidadosamente, com carinho, com dor, uma a uma. Vi o momento estampado no papel, me transportei no tempo, vivi tudo aquilo mais uma vez, e chorei.
Senti que era hora de me despedir, não por não sentir mais amor, mas por saber que já não fazia sentido aquelas fotos amarelando na minha porta. As portas se fecharam para nosso futuro, e o que restou? Pedaços de fotos no chão, lágrimas e saudade.
Saudade do que foi bonito, da pureza, das caminhadas, do vento no rosto, dos beijos inesperados, das mãos dadas e da fé infinita em nós.
Saudade dos planos que nunca se realizarão, das viagens que nunca faremos, dos saltos de paraquedas que nunca daremos, da casa que nunca será comprada, dos pratos e receitas que nunca serão preparados, dos passeios de bicicleta que nunca se concretizarão, das crianças que nunca correrão no jardim, do jardim.
Eu via seu rosto naquelas fotos, imaginava tudo de bonito que vivemos, sentia meu coração aquecer, porque ver o seu sorriso quando olhava para o teto e imaginava seus sonhos e planos era como ver estrelas cadentes explodindo no céu. Mas eu prometo, sempre que eu vir uma estrela cadente, vou fazer um pedido para que Deus esteja cuidando bem de você.
Rasgar as fotos foi um ato impiedoso, mas também de salvação das nossas lembranças. Eu o fiz com a suavidade de quem ama, mas a pressa de quem sabe que não tem mais tempo. Agora não as tenho mais impressas, mas estão todas salvas na minha memória, em diversos pedaços, que eu posso montar como um quebra cabeça, com cuidado, com jeito, com carinho, igual eu fazia quando arrumava o lençol no seu rosto para que não se incomodasse com a claridade do sol de manhã.

Haviam pedaços das nossas fotos no chão, e eu também estava lá, com eles, despedaçada.

Foi o momento em que eu mais te amei na vida. Foi o momento em que eu me libertei.

“tEM DÓ, PEQUENININHA”

sexta-feira, agosto 9, 2013

bruemalu
“…Mas quando a gente se vê,
É uma alegria sem fim.
A gente pega a saudade,
E manda ao longe assim.”

[Trio Virgulino]

rESPOSTA

quinta-feira, julho 25, 2013

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Você está vendo o que está acontecendo?
Nesse caderno sei que ainda estão os versos seus,
Tão meus, que peço (…) que os aceite em paz.”

[Skank]

mORANGO, CHOCOLATE E ESTRELAS

terça-feira, julho 23, 2013


Eu gostei de ouvir o som da sua voz de novo. De imaginar. Você que falava tanto, pelos dedos, e repentinamente silenciou. Tentei em vão entender ou chegar a alguma conclusão, mas não havia nenhuma, você parou de respirar perto de mim e eu não soube chegar de volta até você.
Tem sido difíceis os últimos dias, sabe? O peso dobrou, a ferida não sarou, a chuva não cessou e eu continuo confusa e atrapalhada, como eu havia te dito outro dia. Continuo com os mesmos bloqueios, as mesmas saudades, os mesmos desejos. Aquele velho frio na barriga não passou, como você deve ter imaginado, mas eu sinto que tem algo diferente também… Para mais ou para menos. Talvez mais vontade de ter menos medo.
Pode ser que as coisas mudem, pode ser que permaneçam iguais, pode ser que as distâncias aumentem, que os seus sorrisos não sejam mais partilhados comigo, mas eu quero saber de muitos sorrisos seus. De felicidade, de surpresas (boas), de desejos realizados, de reencontros, de paz, de som e de luz. E que continue correndo, correndo muito, em direção a isso que você acredita ser tão bonito, e que eu sei que é também. Sonhe, sonhe muito, porque eu consigo enxergar a concretização de tudo isso mais adiante. Porque você merece, porque você é capaz e porque eu só consigo desejar coisas boas a você e te querer muito bem. Só o bem.

“If I could reach the stars,
Pull one down for you.”
[Eric Clapton]

oRAÇÃO

quarta-feira, julho 17, 2013

Alivia minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte e sim a vida, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que eu receba o mundo sem medo, pois para esse mundo incompreensível nós fomos criados e nós mesmos também incompreensíveis, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade e paciência comigo mesma, amém.

(LISPECTOR, Clarice. Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, pág. 112.)